quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Uma manhã de natal na aldeia

As aldeias são como paraísos terrenos que permite aos forasteiros um refúgio medicinal. A pureza do seu ar, a inocência da sua água, a envolvência da humildade das pessoas, o cheiro a estrume, o alarme das galinhas saído de autênticos minaretes são tudo sinais de vitalidade e robustez desse mundo que parece resistir a todo tipo de influência socioeconómicas provenientes dos sítios poluídos que moram do outro lado do monte. A vida forçosamente pacata nesse pequeno universo ofereceu às pessoas formas e vivências muito peculiares que se transformaram em registos comportamentais muito próprios definindo-as com ligeira diferença. Tendo em consideração os seus ancestrais a maioria dos portugueses, no natal, são empurrados pela tradição e petiscam uma pequena visita às suas origens. O primeiro sintoma de proximidade do destino são aquelas estradas cheias de curvas que tem como intenção reduzir a velocidade dos carros para que cada aldeão que esteja no café, à porta de casa ou parado num sítio qualquer possa ver quem vai dentro do automóvel, por vezes até dão a sensação que estão em Wimbledon a seguir a bola num jogo de ténis tal a intensidade dos movimentos que fazem com a cabeça cada vez que um carro passa. A hora da missa é soberana, quem não vestir a melhor roupa não entra e depois há aqueles que chegam mais tarde para mostrar as “texanas” novas e como se isso não bastasse procuram o lugar na frente, junto ao altar, sendo que a caminho, como tudo é família, resolvem dar beijinhos a tudo e a todos…não satisfeitos a meio da missa na parte dos cumprimentos voltam a bombardear toda a gente com beijinhos e no fim, já no exterior da igreja, a terceira vaga de beijos arranca com sofreguidão e loucura como se o dia se fosse transformar em noite. Um fenómeno alarmante é perceber que todos aqueles que não são filhos diretos da terra não tem direito a nome, é como na Judeia, são o filho do Manel, o filho do Xico, o filho do Quim ou do filho do Zé e pior do que isso é encontrar família desconhecida por todo lado que não está habituada a cumprimentar de beijo com o encostar de cara e por isso resolvem esfregar os seus lábios na nossa bochecha até abrirem valas, e não contentes libertam um barulho acompanhante que faz parecer que estamos ao lado de uma turbina de um avião. A ida ao café transforma-se numa aventura que nos remete para a lembrança de filmes que outrora foram momentos de entretenimento. Avistar o café ao longe oferece-nos uma visão desencorajadora de indivíduos que protegem a porta de pernas abertas cheios de “stile” a envergar umas calças com letras embutidas de cores diferentes e um blusão com o número 33 cravado por cima de umas letras douradas que todas juntas diziam “Naf Naf”. A imagem de marca do seu estilo, que até se pode considerar intimidatório, é colocar os dedos polegares pendurados no canto de cada bolso deixando os outros quatro irmãos de fora tudo isso acompanhado por um olhar agressivo que na lógica deles é uma técnica de sedução. Para termos acesso ao café temos que ultrapassar um labirinto de motorizadas Casal Sachs e Zundapps Famel que são as meninas dos olhos de cada um representando tudo aquilo que haviam sonhado. Ultrapassado todas essas barreiras que encandeiam os olhos a entrada no café despoleta um silêncio ensurdecedor imbuída de olhares fulminantes que nos fazem sentir como um criminoso procurado. A normalidade volta com o barulho dos matrecos e do bilhar conjugado com o esforço que os seus executantes fazem para vencer cada partida tendo em conta que essa tarefa é melhor forma de elevar o ego para cortejar umas tais miúdas que nada percebem de exigência intelectual.  Mas tudo isto vale a pena porque o almoço lá em casa vem logo a seguir e compensa todas as desventuras perturbantes que nos rodeiam num lugar de inadaptabilidade. 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

LOL

O ano de 2013 irá afigurar uma mudança profunda na minha vida. Os anos são assim mesmo, para além de representarem uma data servem em simultâneo para redefinirmos num ponto temporal uma nova estratégia de vida muitas vezes promovida por questões pessoais ou situacionais. Por vezes a vida, por mais resistências que manifestemos, obriga-nos a sair do nosso caminho numa direção indefinida que nos atormenta pela ocorrência de nos sentirmos num pântano desconhecido sem ramo para nos agarramos. O mundo mudou e obriga-nos a mudar para um contexto social distinto dos hábitos já enraizados; mas o ser humano é um animal de capacidade adaptativa e, por conseguinte, a partir de 2013 sempre que houver razão para me rir não o faço…digo LOL. Já não há mundo para além do LOL. Quando me disserem que o benfica vai ser campeão, em vez de me rir como habitualmente, apresento uma cara ultra seria e verbalizo LOL. Cansei-me de resistir ao LOL, estou rendido à maior aberração da história da informática, no próximo ano irei escrever e dizer vezes sem conta LOL, sei que jamais serei o mesmo mas agora também já nada interessa, estou convertido à estupidez e daí já não saio. Uma coisa que não percebo é que LOL tem três letras e a palavra “rir” também… se dá o mesmo trabalho porque é que se escreve LOL? Já presenciaram alguém a dizer LOL? Acham bonito ver dentro de uma boca aberta uma língua solitária a bater duas vezes no palato? Realmente quando imagino alguém do outro lado a rir e a escrever LOL só me aparece na mente uma cara deformada, até porque essas três letras conjugadas são absolutamente inestéticas. Qualquer dia tem que se colocar no teclado uma tecla adicional só com a sigla LOL. Se isto continuar nesta evolução o mundo é obrigado a fazer um upgrade de todas obras literárias que sustentam as diferentes culturas sob pena de não serem entendidas. Já estou a ver o padre na homilia dominical a citar a bíblia atualizada; “E cristo dirigiu-se para S. Paulo e disse-lhe; - Enche-me o copo PFV. - WTF!! Onde está o vinho? disse S.Paulo,  Cristo respondeu; - O Judas acabou com ele, LOL…” ou nos Maias o Carlos para a Maria Eduarda; “ Ó filha eu sei que és minha irmã mas vais na mesma, LOL…”, até num tribunal o assassino a pedir a absolvição do crime com o juiz a responder; “- LOL, estás maluco!!!”. Essa mania coloca em causa o que escrevemos porque, não poucas vezes, introduzimos um assunto sério para lançar debate e passado alguns segundos recebemos o primeiro LOL proveniente daquelas pessoas que não percebem nada do assunto em questão mas acham-se no direito de comentar da única forma que sabem através do…LOL! Mas pior são aquelas personagens que escrevem um disparate qualquer julgando ter piada e depois acrescentam elas próprias o LOL presenteando os internautas com a triste figura de quem se está a rir informaticamente sozinha. O LOL é já um vício semelhante a uma droga na qual as pessoas não se conseguem desprender e para além disso é altamente contagioso, basta um click…eu fui apanhado.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Natal porquê?

A altura da confusão aproxima-se com ligeireza mas sem subtileza. Considerada por muitas criaturas a temporada mais aprazível do ano não deixa de ser igualmente a mais paradigmática e controversa. Existem aqueles que a vivem com inquestionável superficialidade o que lhes permite desfrutar de todos os costumes e hábitos que a época oferece e outros que ultrapassam a barreira do visível viajando ao profundo na pura tentativa de perceber a origem desses mesmos usos e tradições. Os primeiros “curtem” os segundos questionam-se. A palavra natal vem do latim e deriva do verbo nascor (nasceris, naci, natus sum) que tem o sentido de nascer…mas as únicas referencias escritas do nascimento de Cristo revelam que nasceu em Março!!! Mais inquietante é tentarmos perceber a relação do pinheiro que nesta altura vive dentro de cada casa com o nascimento de Cristo. Quem é que se lembrou do colocar um pinheiro a simbolizar o Natal? Será que Jesus Cristo não nasceu numa gruta mas em cima de um pinheiro e estamos todos enganados? Ou será que os reis Magos estavam a fumar uma “ganza” deitados num ramo do pinheiro quando viram as estrelas cheias de speed? E depois há a mania de colocar um pouco de algodão a envolver o pinheiro para dar a ideia de neve como se na Palestina, terra onde Cristo nasceu, nevasse de manhã à noite. Mais caricato são as bolas penduradas…para que servem as bolas? Se forem ao pinhal de Leiria não há pinheiro nenhum que tenha bolas penduradas; para que é que foram trazer essa mania para os pinheiros de Natal? Só se for para homenagear as bolas do S.José que libertaram o fruto que deu origem ao menino Jesus mas toda a gente diz que foi concebido sem pecado… E depois no aconchego das ditas bolas estão as fitinhas cuja única função é cagar o chão da sala. As fitinhas são como um cachecol que abraçam a árvore transformando-a numa Belle Dominique cheia de plumas. Mas a maior paranóia são as luzes. Para que servem? Para marcar o ritmo das convulsões nos epitéticos? Mas a cereja em cima do bolo foi a invenção do Pai Natal. Uma criança esperta não acredita que um homem gordo consiga descer uma chaminé para colocar um presente numa…meia. Ainda por cima numa meia? Se fosse numas ceroulas ou num gorro estragava a história? E as casas que não tiverem chaminé ele entra pela sanita? E se ele descer pela chaminé como é que não suja a sua longa barba? Mas o melhor de tudo são as prendas. O mais chato é termos o trabalho de retirar a massa, o arroz e o atum da dispensa para lá colocarmos as toneladas de Ferreros Rocher que recebemos e como se isso não bastasse somos obrigados a arranjar espaço nas nossas gavetas para os kilos de meias e boxer provenientes das pessoas mais antigas da família. Já que o Natal é tão importante para as famílias porque é que não se inventa um doce melhor do que pão frito com canela a cavalo? O mais grave de tudo nesta época é a impossibilidade de podermos ver televisão sob pena de quando fecharmos os olhos para adormecemos a nossa mente ser assaltada pela dança erótica da Popota à boleia da sua música irritante. A grande missão deste defeso é convencer as pessoas através de uma mensagem que afinal lhes desejamos um bom natal porque está implícito que na ausência da mesma mensagem lhes desejamos um péssimo natal.  A quantidade de toques de aviso das sms está estritamente relacionado com o limiar de felicidade que a pessoa apresenta nesta época, por vezes a família reúne-se no sofá para competir o volume de mensagens recebidas. Ir às compras nesta fase seja qual for a loja quem nos atende ou há-de ser a Mariah Carey a cantar “All i want for christmas is you” ou o George Michael com o “Last Christmas” e depois são músicas que se entranham dentro de nós empurrando-nos quase até à loucura. Outra tradição milenar na qual tenho profundo respeito é o bacalhau da consoada, a utilização do bacalhau como prato forte da noite de Natal vem desde o ano I DC quando Jesus Cristo com 11 meses de vida no momento que estava a descascar batatas, observou uma couve e lembrou-se, decidiu e comunicou ao mundo: “MEUS AMIGOS A PARTIR DE HOJE A ALIMENTAÇÃO PREDOMINANTE NA NOITE DE CONSOADA VAI SER BACALHAU COM TODOS…COM O OVO BEM COZIDO”!!! Não foi difícil só teve que transformar a água em bacalhau...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Manias nos casamentos

Para a maioria das pessoas existem alguns segundos nas comuns manhãs que chateiam. O momento do acordar é a nossa tortura diária, por vezes até nos custa adormecer porque sabemos que esse suplício estará presente no próximo abrir de olhos, quase que não dá para saborearmos o sono, a noite passa a correr, entre o adormecer e a tortura corre um espaço temporal à velocidade da luz oferecendo a sensação de dormimos num intervalo entre dois pestanejares. Dormir também adormece os nossos problemas e as nossas responsabilidades, oferece-nos uma serenidade capaz de nos elevar a um mundo espiritual que nos rejuvenesce, dedica-nos sonhos e meditações. A realidade vem com o acordar e é nessa altura que as inquietudes da vida se apoderam da nossa aura. Para mim essa realidade assalta-me todas as manhãs com uma pergunta na qual penso nunca encontrar resposta, é como uma perseguição, não há manhã que não tente encontrar a solução para esse enigma… QUAL SERÁ O SIGNIFICADO DAS BUZINADELAS DOS CARROS NUM CASAMENTO? Esta pergunta vive permanentemente na parede do meu quarto sempre que os meus olhos se abrem para encarar o dia. Como é que seria antes de haver automóveis? Ia a malta toda nas carroças e obrigavam os cavalos a relinchar? Dá a sensação que existe uma competição entre os condutores que vão no cortejo, quem apitar mais vence uma garrafa de groselha e depois um fenómeno interessante é ver o cansaço tomar conta da mão que agride a buzina proporcionando uma ligeira necessidade de descanso e por inerência um certo silêncio do agrado de todos, mas se um se lembra de apitar voltam todos numa ânsia desenfreada a apitar loucamente abafando qualquer sirene dos bombeiros. E depois se um indivíduo apita uma vez o de trás é obrigado a apitar duas vezes, nestas circunstâncias ninguém se atreve a apitar menos de que o outro, o número de apitos tem de significar a proximidade a uns dois noivos. O pior de tudo é quando a corda de automóveis é separada por um solitário semáforo; quem ficar retido no sinal vermelho solta de imediato uma espuma de raiva motivada pela impossibilidade de poder mostrar aos que continuaram a marcha as suas estrondosas apitadelas. Mas qual será o significado dos apitos? Avisar o transeunte que ali vai um casamento? Porquê? O casamento é um momento bizarro que justifique avisar o povo da sua ocorrência? É quase tão descabido como bater no prato para pedir o beijo dos noivos…como se esse beijo significasse alguma coisa para o futuro de cada convidado. Enfim… Mas o apito não tem o mesmo significado se não tiver a companhia da rendinha abraçada à antena do carro ou ao retrovisor. Quem é que foi o idiota que se lembrou dessa merda?? De certeza que foi um gajo que tinha o fetiche das rendinhas e como não tinha gaja colocou no carro mas a verdade é que essa estúpida tradição chegou aos dias de hoje e faz parte dos momentos mais infelizes do dia de casamento, e ainda por cima a malta tem a mania de deixar a fitinha viver colada ao automóvel durante três meses só para dizer que esteve num casamento, só porque é giro dizer que esteve num casamento. Ainda para mais é branca como se hoje em dia as mulheres casassem imaculadas… Vou continuar em busca da resposta para decifrar este caso bicudo…

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Lisboa é um lugar estranho

Porto é Porto, Lisboa é Lisboa. Estou um pouco fatigado de estar sempre a ouvir os tripeiros a falar mal dos alfacinhas, como também já me faz comichão auditiva ouvir dizer que pertencemos a um país pequeno e que somos todos portugueses. Na verdade somos todos portugueses mas isso não representa qualquer tipo de igualdade, alias, se analisarmos à lupa a nossa história, a cultura, personalidade, arquitectura e paisagem percebemos com clareza que Portugal se decompõe em duas partes bem distintas, norte e sul. Sendo esta premissa inequívoca não significa que estes dois pólos não possam viver em harmonia e respeito. Com exactidão sabemos que existe, incompreensivelmente, uma relação de crispação entre as duas maiores cidades que se reflecte em todos os sectores da sociedade. Um paradigma que nunca percebi é a mania dos tripeiros, estupidamente, intitularem de forma pejorativa os lisboetas de “mouros” quando no tempo das invasões os mouros fugiram e deixaram para trás os camelos, portanto, os lisboetas nunca seriam designados de ” mouros” mas sim de “camelos”. A diferença entre os dois povos salienta-se até antes do nascimento, uma grávida de um lisboeta na primeira ecografia nunca vê um feto mas uma folha de alface, aos cinco meses de gestação o resultado do género é sempre inconclusivo sendo que essa incerteza perdurará até aos 20 anos porque terra que faz nascer Carlos Castro e Castelo Branco permite todo o tipo de fenómenos. Um bebé lisboeta quando nasce não chora diz “bué”, bebé que não diga “buè” é renegado e transferido para a Casa Pia. Um tripeiro diz o primeiro palavrão aos três anos, um lisboeta dez minutos antes de morrer; “- Foda-se estou quase a ir”. Num estádio de futebol o insulto define a origem da pessoa, um tripeiro diz ao árbitro palavras simpáticas como; “Ó filho da puta a tua mulher está com um preto, eu se te apanhar fodo-te todo!!”, um lisboeta timidamente aplica palavras insultuosas como; “Ó patife, seu energúmeno, você é um autêntico pateta!” O sotaque dos lisboetas começa a ser ensinado aos vinte meses, aos oito anos já conseguem dizer “caich'dré". Para os alfacinhas ténis não é um desporto, são sapatilhas, se exceptuarmos o Carlos Cruz um garoto não é um puto mas sim um pouco de leite com café. Aos vinte e cinco anos o lisboeta concretiza o sonho de ser taxista para poder ler na praça de táxis o jornal Abola recostado ao volante. O fado faz parte da sua alma, para eles é prática comum assistir numa casa para o efeito pessoas a terem convulsões do pescoço para cima enquanto cantam músicas melancólicas e todas esganiçadas. Um paradigma deste povo não é gostar de caracóis mas perceber como os apanham tendo em conta que trabalhar não é o seu forte. Outra característica interessante dos habitantes de lisboa é o hábito de definirem lisboa como uma cidade com muita luz e claridade quando as suas ruas e paragens do autocarro comprovam que o que não falta é escuridão. Por me lembrar dos autocarros parece-me no mínimo estranho atribuir o nome das linhas de ferro que suportam os comboios à empresa que gere os autocarros…não há dúvidas que parecem um povo diferente e depois é engraçado vê-los com um ar de preeminência a disfarçar o cagaço que tem a um qualquer espirro perdido. Os lisboetas são um pouco egocêntricos, acreditam que para além da CREL não há mais mundo, eles não arriscam ultrapassar essa barreira, porque não sabem, nem querem. Nessa terra a subespécie mais respeitada são os reformados com mais de setenta anos, são a única prova viva dos feitos internacionais do Benfica, são autênticos contadores de histórias, a malta gosta de os ouvir, a malta sabe que esse passado jamais sairá das palavras dos velhinhos. Mas o seu maior orgulho reside no maior embaixador da sua cidade, a sua grande referência, a alma lisboeta que difundiu o seu nome por todo o mundo, que ninguém ouse falar mal do seu ex-líbris, que ninguém se atreva por em causa o valor do seu bitoque, não há bitoque como o de Lisboa, a sua confeção é de uma dificuldade extraordinária, só os sábios lisboetas é que foram abençoados com essa arte. Todos nós somos um pouco do nosso meio, não existe ninguém imune à influência, nesse sentido devemos respeitar as diferenças, viver em paz e em plena harmonia, está na altura de deixarmos de gozar uns com os outros e darmos as mãos. Afinal somos todos portugueses. 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Loja do cidadão


Se um dia me perguntarem, estupidamente, se encontro semelhanças entre a loja do cidadão e a EuroDisney respondo que sim! A inquietude que nos empurra a caminho da loja do cidadão é a prova da imprevisibilidade do tempo que nos irá algemar numa maldita espera de um futuro que poderá nunca se concretizar. A duzentos passos do nosso destino começamos a observar uma fumaça que impede o vislumbramento da porta de entrada, tal como o nevoeiro que amarra o bosque da bruxa má. O cheiro é que nos avisa que o fumo é proveniente das castanhas que estão a ser assadas por um homem que mais parece o professor Pardal. Ultrapassada a neblina observamos uma porta automática cercada por um ambiente diversificado e heterogéneo imbuído num desejo comum de assassinar os torturantes minutos que os separam da resolução das suas intenções. Vê-se de tudo desde o Pato Donald e a Margarida enroscados e encostados a um muro satisfeito, o Peter Pan a vingar-se num cigarro inocente, o rezingão a protestar contra o tempo de espera, o Mickey indiferente a tudo, o Scar contando passos de um lado para o outro…cada um ocupa o tempo como pode e sabe. Mal entramos deparamo-nos com a companhia permanente das escadas rolantes. O segurança lá por se intitular de segurança julga que é mau e poderoso e por isso, como boas vindas, apresenta sempre às pessoas uma tromba que faz lembrar o zangado dos sete anões. À boleia das escadas rolantes encontramos sempre em contramão o Zezinho, o Luisinho e o Huguinho mas desta vez mais sofisticados porque para além do chapéu usam brincos, tatuagem e calças no fundo do cageiro e vivem da caça a um subsídio qualquer da segurança social. Já com o número na mão, enquanto se espera contempla-se o panorama, observamos sempre um Pateta que se esqueceu de um documento qualquer e que depois se põe a implorar à funcionária para resolver o problema fazendo aumentar o tempo de espera de quem desespera. Se tivermos a sorte de um lugar vazio do banco nos chamar a probabilidade de o Grilo Falante do nosso lado meter conversa é enorme. Num instante, com a total ausência de palavras e só com um abanar de cabeça ficamos a conhecer a vida dele. Não é mau até nos ajuda a passar o tempo o problema é que, inacreditavelmente, de vez em quando passam umas Bambis a desfilarem e o nosso olhar não presta avaliação. Chegada a altura de transformar as palavras laterais em ruido de fundo começamos a pressentir a chegada da nossa vez e é nesse momento que iniciamos a observação das hipotéticas funcionárias de serviço e quando damos por nós percebemos que cresceu um desejo consciente, e de certa maneira profundo, de sermos atendidos pela Bela Adormecida em detrimento da Cruella. Concebido o desejo é com suavidade que se alapa o rabo numa cadeira gasta e desconfortável, e ficamos ali a ver a sujeita a agredir um teclado, exclusivamente com o dedo indicador. A nossa visão é ocupada quase na totalidade pelo cú do monitor e de repente vemo-nos ali num silêncio ensurdecedor, e mais inacreditável ainda é a capacidade que essas figuras tem de conseguir estar quase 10 minutos a olhar para o monitor e a menear o rato sem se lembrarem que estamos ali. É nessa altura que o Sininho faz falta, para poder ver e denunciar o que a funcionária está a fazer no computador. Pode até estar a jogar farmville que nunca saberemos... Existem frases que podem ser aplicadas que ajudam a minimizar a tensão como; “ Só um bocadinho”, ou “estou a tentar resolver” ou mesmo a celebre, “o sistema está lento” …a bela adormecida que sendo bela é mesmo adormecida e num impulso olhamos para o lado e vemos a Cruella com domínio total sobre todos os assuntos a despachar as pessoas com eficácia e simpatia. É nesse momento que percebemos que ter-nos coincidido a Bela Adormecida tinha sido um infortúnio, a fada madrinha é que nos dava um jeitaço para que num acto de magia trocasse o mono que habita à nossa frente pela Cruella. No fundo é a história da Bela e do Monstro mas na mesma pessoa… é inevitável não nos sentirmos o Pluto porque falamos, falamos, falamos e ela nada entende e depois devido a sua incompetência acabamos sempre por entregar o nosso dinheiro ao Tio Patinhas. Já dizia António Aleixo; “Nunca se pode avaliar ninguém à primeira vista porque até um aleijado pode ser um artista.”     

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Português que é português

Coçar a tomateira, sem que ninguém se apercebesse, transformou-se num dos símbolos de mudança geracional. Quem fizer o exercício de confrontar o passado com hábitos do presente descobre uma mudança profunda que nada teve a ver com uma simples continuidade comportamental evolutiva mas sim com uma metamorfose apressada e inesperada proveniente de influências alienígenas cuspidas pelos meios de informação. Na verdade as tradições autênticas dos portugueses estão a cair em desuso, o respeito pela nossa genuinidade esfumou-se num par de anos, o poder influênciativo de modas alheias atirou contra a parede toda a nossa verdadeira natureza, os nossos hábitos já não são hábitos, os nossos estereótipos vivem agora no passado, o português já não é português, é simplesmente um homem do mundo. A mania das regras de etiqueta implementadas pelos “cócós” que acham que dar um peido é falta de respeito assassinou a essência do que é ser português. Português que é português coça os tomates em público com a maior das liberdades sem que se tenha de preocupar com a observação e avaliação dos outros, português que é português sente orgulho quando coça e levanta a cabeça passando o olhar por toda a nação inspirando o ar trazido pelo vento representando toda a confiança do mundo; não é português aquele que sente comichão e não coça, aquele que disfarça metendo a mão no bolso já furado para esse efeito, aquele que se esconde com vergonha de sentir vontade de coçar. Português que é português usa bigode…o bigode declama a pujança do que é ser português. Português sem bigode é fogo sem chama, são flores sem perfume. O português sente brio quando sente os salpicos de sopa agarrados aos pêlos do bigode, o guardanapo inimigo nem ousa aparecer, beijo sem bigode para a mulher do português é desenxabido, sentir o buço arranhado provoca nelas ardência e excitação. Português que é português cospe quando tem que cuspir, nunca adia desalojar a gosma, é no momento e com o máximo de barulho possível para avisar todo o mundo que a está arrastar a viscosidade desde o esófago. Cuspir para um lenço é uma paneleirice, o chão é o sítio, a chuva lava tudo. Português que é português gosta de meia branca, meia preta é inestética. A fivela do sapato só sorri na companhia da meia branca, meia preta é para quem não tem gosto, meia preta viola a arte de bem vestir. Português que é português nunca coloca a comida no seu prato, isso é serviço da mulher. A mulher cozinha, serve e lava a louça, para o português essa é a prova da sua existência. Português que é português vai ao café embebedar-se para ter pretextos para bater na mulher, homem que não bate na mulher não é português, a mulher deve estar debaixo do homem quando ele entender, ele manda, se assim não for não é português, é um homem do mundo. Português que é português não corta a unha do dedo mendinho, cotonetes é coisa de gays, ficar com a unha cor de laranja depois da limpeza do ouvido é coisa de homens de pêlo na venta. Unha grande é sinónimo de masculinidade, compostura e vanglória. Unha grande imprime respeito nos outros é sinal de soberania social e estatuto, ninguém ousa impor-se a quem tiver a unhaca crescida. Português que é português usa o tercinho no retrovisor do seu carro, o português não abdica dessa proteção, acredita profundamente que a alma divina o acompanha, não se importa de ver Jesus Cristo pendurado no terço a esmurrar-se permanentemente contra o vidro como se um cisco no olho se tratasse. A presença do terço é imperativo e nunca incomoda. Quem não ombrear o tercinho é um herege, é um cidadão do mundo. Português que é português não se deixa vencer pelas regras de cidadania, o português é corajoso, astuto e insubmisso. Quem respeita as regras não é ousado mas sim um cobarde que não é capaz de viver no limite da aventura. Para um português só cumprem as regras os cagões que não cospem para o chão, que usam meias pretas, que não batem na mulher, que cortam as unhas todas e que não usam o tercinho pendurado. Português que é português não é português. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Então, estás bom!!


Se Joanne k Rowling não tivesse vivido na majestosa cidade do Porto o Harry Potter nunca teria existido. Não tenho dúvidas que a percepção que a autora desenvolveu do carácter dos portugueses esteve na base de toda a sua inspiração na criação das suas personagens. Eu, de certa forma invejo o nosso amigo Harry Potter…não é por ser mágico e com a sua varinha transformar o que lhe dá na gana, é por ter em sua posse um objecto que me daria um jeitaço do caraças. Eu pagava o que fosse preciso para ter o manto da invisibilidade. A criação deste objeto foi inspirada da necessidade que algumas pessoas têm de se proteger da curiosidade dos tugas. A vontade que tenho em possuir esse cobertor divino não seria para cuscar porque nunca fui intrometido, seria sim para me esconder das pessoas que já não vemos desde o período jurássico que nos abordam como se fossemos os melhores amigos do mundo. Não quero ser prepotente mas considero que, tirando as relações de proximidade, todas as outras são afeições temporárias que aconteceram em determinadas circunstancias movidas pelo meio envolvente. Quando os pontos de comunidade que ligam determinadas criaturas terminam cada uma vai para seu lado e ninguém quer saber mais uns dos outros porque o tempo de afastamento vai apagando gradualmente as vinculações emocionais. É por isso que quando vemos uma pessoa que outrora partilhou connosco momentos de socialização a caminhar na nossa direcção, encurtando a distância com ligeireza, pensamos em mudar de passeio ou vacilamos num olhar para um autocarro a seguir o seu caminho. Mas como nunca queremos ser indelicados resta prepararmo-nos para três possibilidades; a pessoa passa e faz de conta que não nos conhece o que percebo perfeitamente na medida em que não temos nada para conversar, ou deseja falar mas arma-se em difícil e pronuncia aquela frase já utilizada no tempo dos persas, “Conheço-te de algum lado!!!”, ou então prisioneira da curiosidade assalta-nos com a famosa frase,-”Olá tás bom?”Chego a pensar que até preferia que não me tivessem incutido valores porque isto de ser educado é como estar algemado à hipocrisia das normas sociais… Uma pessoa quer ser genuína e sincera mas não pode sob pena de nos colocarem todo o tipo de rótulos. O que desejamos dizer é; Ok! Pronto! Para que raio queres saber se eu estou bom? Por acaso significo alguma coisa para ti? Eu sei como as coisas se processam…tudo que eu disser vai ser repetido a outras pessoas, mas não literalmente porque acrescenta-se sempre um cunho pessoal da pessoa que transmite a mensagem transformando-se num fenómeno em cadeia, sendo que, qualquer dia estou morto na boca de alguém sem saber que estou morto. E depois traz consigo a avalanche de perguntas que toda a gente sabe na ponta da língua: -Que fazes por aqui?…para que é que lhe interessa saber isso? -Então, está tudo em ordem?...para mim é a pergunta mais estúpida, que raio de pergunta! Em ordem ou na ordem? É o mesmo que perguntar; -Está tudo organizado?; -Tá tudo…e depois vem outra… - Que contas?...o que é que eu tenho para contar a uma pessoa que não me diz nada…e a resposta é sempre; -Nada de especial… - Que tens feito? Fodasse…isto não acaba…-Ando por aí…

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Vida de chiclete

378… Este número não representa qualquer efeméride, nenhum método de medida nem sequer a porta de ninguém. Este número nunca estaria neste texto se não fizesse parte da maior prova de paciência jamais interpretada por mim. 378 irá perpetuar-se na minha história como o mensageiro do declínio de um diálogo que se antevira ser rico, mas que, inesperadamente se transformara num  “rodeo” linguístico que teve como efeito a imperceptibilidade. 378!!! Parece inacreditável mas foram 378 o número de vezes que observei, durante uma conversa, a dentadura de cima esmagar uma chiclete cor-de-rosa contra a dentadura de baixo. Chega a dar pena… É inevitável não personificarmos os sentimentos da chiclete, a sensação de impotência que ela transmite provoca em nós uma vontade louca de a libertarmos. Chega a um ponto que deixamos de absorver qualquer palavra proveniente dessa boca porque a nossa atenção se obriga a focar quase obsessivamente na luta travada entre a chiclete e os molares inquisidores. A nossa envolvência emocional, inconscientemente, transforma-nos numa claque que puxa exaustivamente pela fuga da amiga cor-de-rosa, e quando julgamos que esta vencera a batalha da libertação é no momento que se aproxima das portas da escapatória que é sempre apanhada pelas presas do inimigo cheio de cárie. Pois é!!! Irrita-me conversar com alguém que esteja a mascar chicletes. Não percebo qual é o prazer de conversar com uma refém na boca, é um comportamento que origina um conflito interno na pessoa porque muitas vezes se sepultam num dilema temporal entre mascar ou desalojar uma palavra, e ainda por cima ficam ali a fazer figura de parvo com total indiferença; logicamente, quem paga somos nós que ficamos ali a secar à espera que acabe de mascar para terminar a frase. E o pior de tudo é quando chega a nossa vez de falar e vemos do outro lado uma bola a nascer e crescer, crescer até que nos obriga a dar um passo atrás para não se tornar na nossa redoma. É engraçado observar os amantes das chicletes e perceber que o tamanho da bola representa o seu ego, sendo extraordinário vê-los conseguir fazer uma de meio metro e exultarem-se como se tivessem numa passagem de ano. Entediante é quando estamos imbuídos no nosso discurso e ouvimos um dos ruídos mais irritantes deste planeta…PLOC!!!   O rebentamento da bola é a fase de todo este processo que move em nós uma vontade irracional de agredir a pessoa, mais ainda quando em sintonia com essa explosão são libertados perdigotos em grupo e todos contentes que tem a intenção de nos alvejar. O que nos vale é a inspiração “Matrix” que nos ajuda a esquivar da maioria dos misseis mas existe sempre um ou outro que nos atinge. Aquela sensação de sentir algo a esbater na nossa face de origem estranha desconstrói toda a nossa simpatia. O esforço para nos contermos é desumano ainda mais quando essa aversão é alimentada pelo bafo a morango que abandona a boca do parvalhão com quem estamos a conversar, as náuseas e os enjoos apoderam-se de nós o que faz com que merecessem ser batizados com todos os resquícios de comida putrificada que ate então viveram no nosso estômago.  Como se não bastasse, após termos conseguido a tão ansiada libertação do diálogo, auscultamos nas nossas costas aquele barulho do despejo da chiclete, já sem sabor, para a sua eterna morada onde irá viver a ser calcada por solas ferozes e insensíveis. Sinto muita mágoa por assistir as chicletes a serem mal tratadas pelas pessoas…     

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Mão no bolso

Eu vejo a vida como um conjunto de etapas que se sobrepõem mas que em certa medida não se manifestam numa continuidade. Esta complexidade transporta-nos para uma espécie de barafunda vivencial. Cada fase da vida deveria arcar com a missão de consagrar as pessoas de astúcia e saber para melhor se gerir a etapa seguinte, todavia, o que acontece muitas vezes é um retrocesso do comportamento admissível. Como todos sabemos uma das fases mais complicadas do nosso caminho até à cova é a adolescência; o estado de adolescência é prova real da estagnação da evolução da pessoa enquanto ser inteligente. Se analisarmos à lupa todos os comportamentos irritantes da raça humana verificamos que 90% residem neste período…eu percebo que é uma altura de procura de identidade, aceito perfeitamente que se cague o espelho com resquícios de acne, até que se suje os lençóis, mas o que eu nunca entenderei é a vontade louca que os adolescentes têm em mostrar ao mundo que têm consentimento do(a) parceiro(a) para lhe chapar a mão no cú. O rabo não pode cair na banalidade, deve ser valorizado consoante a sua importância, os glúteos são os músculos mais fortes do corpo humano, têm a difícil tarefa de nos manter “erécteis” e proporcionar a nossa marcha, logo, irrita-me achar que a juventude pense que a função do rabo é exclusivamente para receber apalpões. Eu quero acreditar que esse estímulo é resultado de uma necessidade inata que floresce na altura da puberdade, eu sei que a vida até então só permitiu apalpar o próprio rabo, eu percebo que possa existir uma carência assente na curiosidade de perceber se os cús são desiguais mas, caramba, não é preciso manter a mão colada no bolso do cagueiro durante horas para perceber isso. Quem morar perto duma escola já sabe que quando soar o toque de saída iniciar-se-á um desfile de casais todos abraçados com a mão no bolso traseiro a segurar as “nalgas”, e depois olham para trás para um qualquer transeunte e esboçam aquele sorriso de confiança como se uma mão no cú alheio fosse uma grande obra de arquitectura. Chega a dar a sensação que a função do bolso de trás é unicamente para receber uma mão porque nunca serviu para outro tipo de serviço. Mesmo no tempo quente, quando todos nós desejamos ter o mínimo de roupa possível os adolescentes parece que andam cheios de frio porque não deixam de colocar a mão no bolso quente do rabiosque do(a) amigo(a) e depois o mais engraçado é vê-los a marchar abraçados em dessintonia, todos taralhoucos, muitas vezes até se calcam mas a mão no cú permanece sempre imperturbável. Eles estão tão adaptados que conseguem escrever sms com uma mão sem tirar a outra do casulo, dá a impressão que a Levis reveste o interior dos bolsos a velcro. Este paradigma não se resume a casais de namorados, é um vício que se cimentou no comportamento global dos adolescentes, se falha um cú para colocar a mão procura-se imediatamente outro, qualquer dia só se irão reconhecer pela palpação do rabo, já não vai interessar os olhos azuis ou os lábios carnudos mas sim o tipo de cú. Qual será o significado de tal comportamento? O mundo deu uma volta ao contrário, no meu tempo um adolescente para se afirmar perante os outros começava a fumar e metia-se na droga, hoje em dia é o que vemos. Devia haver uma lei que proibisse a confeção de bolsos traseiros para acabar com esta vergonha…

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Estou a ser filmado mas não sorrio


O meu presente nada tem a ver com o meu passado. Sempre que a minha memória me presenteia com momentos da infância acende-se uma chama nostálgica que faz despertar uma espécie de ardor gelado que envolve de uma forma cuidada toda a minha pele. A riqueza do passado foi levada pela avareza do moderno, a pureza da alegria fora substituída pela artificialidade da excitação. O futuro sobrepôs-se ao passado com rudeza e prepotência, quase nem permitiu tempo para adaptações, a sensação que todos temos é que a viagem de vida transita a uma grande velocidade sem que possamos sequer notar o vento que por nós passa. Talvez seja alguma dessa angústia que move em mim uma certa aversão à globalização desmedida que tomou conta do mundo. Abriram-se lojas por todo o lado com hábitos que nunca se antevira, importou-se costumes que apelaram à nossa estranheza produzindo um efeito de desconfiança que muitas vezes se traduzia no abandono do espaço. Uma das merdas mais irritantes que a partir de determinado momento tomou conta da maioria das lojas é a frase; SORRIA, ESTÁ A SER FILMADO!! Não percebo existência dessa frase…mas nós somos alguns anormais para sorrirmos sem motivo? É algum "casting" para os “morangos com açúcar”? Ser filmado já é um atentado à nossa privacidade mas porque é que temos de sorrir para sermos filmados? Se não sorrirmos a câmara não funciona? E que tipo de sorriso pretendem? O largo, quando os lábios deixam ver os dentes, o superior, em que apenas se mostram os dentes de cima ou o inexpressivo sorriso amarelo que empurra os dentes para o anonimato. Realmente uma situação normal é ver as pessoas depois de lerem essa frase concertarem a compostura arranjando a roupa e penteado, ensaiando uma pose deslumbrante para depois procurar as câmaras e pensar… Está bem assim? Se eles querem que a pessoa sorria deviam colocar um espelho que permitisse verificar a limpeza dos dentes porque não parece bem ter parte do McChicken cravado entre os dentes. Muitas vezes temos os nossos momentos de mau humor e desejamos manifestá-lo na tentativa de libertar tensões e se há coisas que nessas alturas nos irritam é mandarem-nos sorrir. Se este método é dirigido para a segurança da loja a sensação que dá é que o ladrão pode gamar o que quiser desde que sorria, se gamar sem sorrir está lixado. Se acatássemos essa sugestão andávamos todos dentro da loja a mostrar a cremalheira numa competição para ver quem vencia o prémio dos dentes mais amarelos, imaginem 500 pessoas dentro da Zara a mostrar o piano, chegava a um ponto que só queríamos sair porque a dor nos maxilares tomava conta de nós. O que eles queriam era fazer da nossa boca portas automáticas, sempre que entrássemos numa loja os lábios afastavam-se, e para alem disso seria muito bonito ver uma pessoa a reclamar uma insatisfação com um sorriso de orelha a orelha. Se acham que esta frase resulta porque é que não a colocam no cemitério? Para além de prevenir os assaltos das viúvas às velas e flores de outras campas, ajudava as pessoas a levantarem a cabeça num momento de profunda tristeza. Morreu um familiar mas SORRIA, ESTÁ A SER FILMADO! Loja que tiver esta oração eu não entro!!!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Odeio o guarda-chuva


O outono está aí e tem três meses para preparar as pessoas para o inverno. Para mim é uma boa notícia porque adoro o inverno, sempre estive inserido na minoria quase clandestina de pessoas que preferem andar molhadas da chuva a transpiradas, que preferem viver despenteadas ao vento a lambidas, preferem ter frio a viver pegajosas, preferem não cheirar a emanar um bafo fétido a suor… Sempre tive muitas dificuldades em perceber o motivo pelo qual a maioria das criaturas veneram o verão, aliás muitas vezes inquieta-me observar algumas bocas a expulsar frases como; “Está um calor que não se pode”, “Preciso de um banho, estou todo suado”, “Vamos para a sombra para fugir do Sol”, Não se consegue dormir com este calor”, “raios partam as moscas”, “ O volante do carro queima”… e o engraçado é que são as mesmas pessoas que dizem que adoram o verão. E depois existem aquelas pessoas que odeiam o inverno, são as que desabafam; “Sabe-me pela vida ouvir a chuva a bater na janela enquanto estou a ver um filme na companhia do cobertor”, “Adoro estar à lareira”, “É tão bom com o frio ir para a cama quentinha”, “ Sabe bem dormir de pijama fofinho”…um verdadeiro paradoxo! O grande problema do inverno nem é o tempo em si mas os guarda-chuvas. Deambular no passeio em tempo de chuva pode transformar-se numa aventura sem precedentes, o perigo da desatenção dos condutores dos “chuços” pode tornar perigoso uma simples caminhada. A universidade do Porto é muito rica em todos os saberes mas peca por não ter um curso que ensinasse as pessoas a utilizarem o guarda-chuva em via pública. Carregar um guarda-chuva devia obrigar a uma licença de condução porque a maioria das pessoas acha que é como ir sozinha, e nem se lembram que por inerência ocupam mais espaço e que o passeio é da pertença de mais pessoas.  Para quem não usa guarda-chuva como eu, ver um “chuço” no nosso caminho é como um forcado ver um touro à frente, a probabilidade de nos magoarmos é relativamente elevada, existe uma tendência para a vareta do guarda-chuva procurar o nosso olho porque o seu portador ou inclina o “chuço” para a dianteira e leva tudo à frente ou se distrai por múltiplas razões e bate-nos com ele. A verdade é que temos que ser nós a forçar o desvio, muitas vezes para o habitat dos carros, porque considero ser preferível partir uma perna do que ficar cego. A falta de sentido coletivo das pessoas que usam “chuço” qualquer dia vai obrigar-nos a usar capacete de viseira em pleno passeio para não nos lixarem a córnea. Eu odeio o guarda-chuva. Nunca entendi porque ombrearam esse nome se ele guarda a cabeça e não a chuva, o nome correto devia ser guarda-cabeça. O guarda-chuva é um objecto badalhoco, nunca sabemos porque mãos passaram, não há ninguém que não o perca como também não há ninguém que não se apodere de um “chuço” alheio. Ele paira de mãos em mãos, eu nunca saberei se os que perdi em pequeno não estarão na América do sul. Esses malditos só devem funcionar com pessoas pequenas, das poucas vezes que utilizei essa arma de comédia fiquei com as minhas pernas e ombros encharcados. Divertido é ver alguém à procura do seu “chuço” depois de o ter perdido. Uma estratégia para procurar compaixão nos outros é apelar ao enorme valor estimativo que acompanhava o “chuço”, mas quando nos predispomos para ouvir a história percebemos que foi comprado a um indiano da rua das flores que deixou a família na sua terra aos 12 anos. E depois o mais irritante é a falta de educação dos defensores do uso do “chuço”, sempre que veem alguém à chuva comentam:- Olha para aquele parvalhão à chuva! Neste mundo as minorias nunca serão respeitadas. Viva o inverno sem guarda-chuvas!!!!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Os pinguins que não temem as focas


Um fenómeno preocupante que infecta as pessoas é a facilidade com que acreditam no senso comum. Esse tipo de sabedoria é produto de uma invenção que à boleia das palavras se espalha descontroladamente tornando-se mais poderosa que a precisão científica. Isso incomoda qualquer sábio! Uma situação evidente e intolerável é o hábito de se dizer que a Terra é completamente redonda o que não é verdade. O planeta Terra devido ao peso dos ursos polares e dos pinguins é achatado nos polos, logo é uma elipse. Aí está um enigma que nunca percebi; porque razão o autor deste mundo desapegou estas espécies por 11000 kilómetros, davam-se mal? Isto está muito mal feito de início, quem deveria viver em cada polo eram os muçulmanos e os judeus. Mas se os pinguins foram empurrados para a terra do nunca é por alguma razão, devem ser chatos…mas na verdade não foram todos, no meu mundo conseguimos observa-los em cada rua armados em espertos a coagir parvalhões com orelhas de burro a chamar-lhes “dotor”. Eles dão a sensação que ingressam na faculdade não para estudar mas para pompear aquela farpela. E depois esses cromos, prisioneiros da ânsia de poder observar a submissão no rosto dos outros, não se importam de acarretar um uniforme quente como um forno que os põe a suar como cavalos. O desejo de se exibirem não lhes dá tempo para lavar nem secar, no dia seguinte vestem a mesma porcaria com uma fragrância que tresanda. A pior praxe é cheira-los! Um cenário entediante é ver um gajo com o cognome de Dux no papel de dominante quando na prática é o mais idiota da faculdade, tem em média 32 inscrições mas são os maiores. Não tenho duvidas que a maioria dos estudantes aproveitam as práticas estudantis para alimentar o ego, vê-se isso na vontade louca de ingressar na tuna; podes não saber tocar nem cantar mas se fores abanar uma bandeira ou se te disponibilizares para abarcares com a tarefa dificílima de bater numa pandeireta já entraste. O mais frequente é assistir a anormais que só fizeram uma cadeira no 1º ano e como se inscreveram numa cadeira do 2º ano se intitulam de “dotores”. Para eles os caloiros não são pessoas, são bestas com cascos. E depois envergam aquele traje com uma vaidade que mais parece que estão em permanente desfile na passarela a competir para ver quem tem mais emblemas. Os emblemas marcam uma hierarquia, quem cozer mais de 2500 vence, pode não ter nada a ver com a pessoa mas o importante é carrega-los. O mais caricato é quem se atrever a vestir essa armadura escura é obrigado a respeitar um conjunto de normas muito inteligentes; não se pode (teoricamente) usar relógio nem brincos com o traje mas usar chupetas e rolos da massa em miniatura pendurados na vestimenta é que dá estilo. Pior do que tudo é dizer-se que as praxes são uma forma de integração, e no fundo faz todo o sentido porque não há melhor forma de inclusão grupal do que andar de joelhos a rastejar com um penico na cabeça a puxar latas de Ice Tea presas às pernas. Incrível é observar os ditos “dotores” a encabeçar uma competição para ver quem embebeda primeiro as caloiras da trabinca para lhes saltar em cima. Não conseguem de outra forma! Os culpados em certa medida são os familiares que os bajulam sempre que os vêem vestidos à pinguim, a emocionalidade que libertam ultrapassa todos os limites da compreensão, muitas vezes nem sabem que curso frequentam ou pode ate ser um curso de merda mas o importante é vê-los naquela figura. Eu de bom agrado colocava estes pinguins na Antárctida, ou melhor, no Árctico para praxarem os ursos polares.  

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Ninguém é igual

Todos os segundos são experiências, todas as experiências são vivências, logo todos os segundos são vivências! Não há muito tempo a população mundial ultrapassou os 7 biliões de pessoas, e o mais inacreditável é perceber que nesse universo não existem duas pessoas com personalidades iguais, porque não há vivências iguais, e o meio é fundamental na formação da personalidade. Mas o que é personalidade? De uma forma elementar podemos dizer que é a síntese de pensamentos, sentimentos e comportamentos que nos torna seres únicos. A personalidade é um conjunto de sinais libertados por cada pessoa que permite definir um padrão comportamental. Esse padrão permite-nos, em certa medida, fazer uma previsão da forma de ser de uma pessoa, o que nos ajuda a perceber com quem estamos a lidar. O melhor local para identificarmos as diferenças de personalidade é quando um indivíduo vai ao Pingo Doce comprar uma caixa de preservativos. O GABAROLA: é aquele que não se importa de esperar 20 minutos na fila só com uma caixa de preservativos na mão, ele até podia ir comprar às caixas próprias no exterior das farmácias mas aí ninguém o vê. O mais caricato é quando chega a vez dele para pagar e levanta o seu produto como um troféu para toda a gente ver, depois cospe aquela frase quase aos berros para não passar despercebido a ninguém; - "É só a caixa de preservativos que quero levar!" - quase instantaneamente levanta a cabeça e como um farol começa a olhar para todas as pessoas apresentando um sorriso ridículo como quem diz; ”Tenho 41 anos e já fodo”. Claro que a caixa do material é para juntar às 500 que já tem na despensa de sua casa. O TÍMIDO: é diferente, é capaz de comprar produtos desnecessários só para poder esconder a caixa de preservativos no meio deles. Quando chega a vez de colocar os produtos em cima do tapete até lhe custa tirar os preservativos do cestinho. Uma situação muito comum com os tímidos é comprar couves para esconder a caixa entre as folhas e depois tentam com o corpo tapar a visão das pessoas que estão na fila e nem ousa olhar para elas. Mal a menina da caixa passa o código de barras a vontade deles é pagar e começar a correr para nunca mais voltar mas não o fazem porque parece ainda pior deixar lá os restantes produtos. O PESSIMISTA: leva sempre o pacote mais pequeno e de marca branca porque não acredita muito na possibilidade do os usar, vive em permanente hesitação e no momento de pagar quase sempre se arrepende e vai devolver os preservativos às prateleiras. O PERFECCIONISTA: é todo aquele indivíduo que os experimenta no provatório antes de os comprar, muitas vezes 4 ou 5 caixas e não leva nenhuma, pede sempre ajuda às meninas para perceber qual é o que deve levar, pergunta de tudo, desde o sabor à textura, se causa alergias e se é fino ou grosso. O OPTIMISTA: em contraste, leva kilos e de todos os sabores. Este tipo de pessoa encontra sempre justificação para os dissabores constantes, até pode levar uma tampa mas a culpa é duma circunstância qualquer. O ANSIOSO: quer passar à frente de toda a gente, dá sempre a sensação que tem de utilizar o material naquele momento ou nunca mais. Como vive em tensão permanente vive a esfregar as mãos o que faz com que de 5 em 5 metros deixe cair o material. O DISTRAÍDO: chega à caixa para pagar os preservativos e repara que afinal o que tem na mão são 200g de fiambre. De facto se fossemos todos iguais não era a mesma coisa...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Tripas que fazem mal às tripas

Um grego qualquer um dia disse "O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade." É das tais verdades que não são mentira!! No nosso caminho de existência temos que manter o ritmo certo, só assim poderemos observar os focos de felicidade que existem nas bermas. O grande desafio daqueles que respiram é encontrar o ponto de equilíbrio da velocidade da vida, quem vive muito depressa passa pelos prazeres da vida sem os ver, quem vive devagar nunca chega até eles. Mas isto não deixa de ser controverso porque podemos experimentar um prazer que depois se transforma em desprazer mas se não tivéssemos experimentado esse gozo também não teríamos sentido o contrário. Este dualismo confronta-nos diariamente e a escolha sobre um deles depende de impulsos muitas vezes inconscientes. Onde este conflito paira muitas vezes é na nossa relação com a comida, precisamente, quando sabemos que tal comida nos pode fazer uma maldade, mas ainda assim arriscamos comê-la. Um dos grandes riscos na nossa vida é comer tripas à moda do Porto antes de uma reunião importante. Como em quase todos os contos aqui a história também começa bem mas à medida que a reunião vai evoluindo vai-se começando a sentir uma pressão no rabiosque. Nesta fase ninguém se preocupa porque aperta-se as nádegas e o atrevido volta para trás, mas o que nós não sabemos é que aquele solitário tinha como missão estudar as condições de evacuação. Após dez minutos sem sentir nada começamos a acreditar que o gajo se rendeu mas essa não é a verdade, eles aproveitam esse tempo para se organizar. Começamos gradualmente a sentir um desconforto no aparelho intestinal, ouvem-se uns barulhos estranhos provenientes do nosso interior como um autêntico aviso de guerra. Forma-se uma espécie de motim intestinal e é nesse momento que percebemos que vai haver chatices. Sem tempo para organizar defesa recebemos de imediato a primeira vaga de ataques como um tsunami. Ainda pensamos em lhes dar liberdade mas nunca sabemos que odor transportam e sob pena de fazer má figura em frente ao chefe preferimos não arriscar e decidimos concentrar todas as nossas forças nas bordas do cú apertando-as ao máximo. Os gajos não desistem e estão unidos, dá a sensação que estão por dentro a bater com um tronco contra uma porta até a derrubar. O pior é quando chega a nossa vez de dissertar numa apresentação em Power Point. Do lugar até ao quadro manifestamos um andar estranho, quase denunciador, devido à contração das nádegas, e ali é que estamos proibidos de perder a guerra senão forma-se uma corrente de ar capaz de despentear todos os que estão na sala. A volta ao lugar parece uma miragem, começamos a questionar-nos se tínhamos mastigado os feijões tal era a força dos gajos. Conseguida a volta ao lugar, sem vacilar, pedimos ajuda à cadeira na tentativa de impedir a saída dos desertores, até que aparece a segunda vaga de ataques quase fatais…os gajos estão motivados e decididos em sair, dão a ideia de estar encavalitados uns sobre os outros a gritar puxa, puxa, puxa, outros atrás com catapultas a lançar bolas de fogo contra a saída; a cor da nossa face é denunciadora, até as bochechas da cara estão inchadas, a reunião nunca mais termina, não há forças para resistir por muito mais tempo, o desespero toma conta de nós… Até que chega a boa notícia!! A reunião acabara e nos só queremos voar dali. Vamos a correr para o elevador e mal esperamos que a porta feche abrimos as comportas absolutamente exaustas e maltratadas e… PUM!!! Foi como estar no metro de Tóquio a inalar gás sarin…o desespero fez-nos esquecer de tocar no botão do elevador que nos levava à saída e nesse momento vemos a porta do elevador a abrir com a malta da reunião à espera para entrar…

terça-feira, 11 de setembro de 2012

"Póssobem"


Um dos atributos mais ricos que este planeta nos apresenta é a diversidade cultural. A variedade multicultural é o símbolo dos diferentes passados e distintas origens, cada hábito, cada comportamento, cada acção remete-nos para a interpretação de que todos possuímos uma história longínqua que teve como resultado a diferença. A multiplicidade sociológica fizera do homem um ser capaz e adaptado, em certa medida obrigara-o a confrontar a dissemelhança ensinando-o a viver em complementaridade com outros povos. O estandarte das diferenças culturais reside na forma de cumprimento. O cumprimento é um gesto que representa uma saudação amigável entre duas pessoas ou entidades, a sua origem é incerta, mas acredita-se que tenha surgido para demonstrar que ambas as partes estavam desarmadas. No Oriente é comum curvar o corpo levemente para a frente, no Havai existe a mania do “Aloha” ser acompanhado por uma mão a fazer “corninhos”, no Texas tira-se o chapéu à Cowboy, na India junta-se as mãos e à boleia do movimento do corpo ouve-se “namaste”, aqui no ocidente é beijinhos aos magotes e apertos de mão. Aqui reside a dificuldade!! Quando alguém nos vem cumprimentar de mão nunca sabemos como vai ser o aperto, é um autêntico desafio porque nunca estamos preparados; isto porque existem vários tipos de aperto de mão e não raras vezes somos surpreendidos. Primeiro devo alertar as pessoas que não se diz póssobem mas sim “passou-bem”. Os póssobens que mais me irritam são oferecidos por aqueles indivíduos que não apertam a mão, dão a mão para ser apertada, eles não tem ossos na mão mas sim cartilagem, dá a sensação que estamos a cumprimentar plasticina, é como saudar um morto que respira. Depois há aqueles apertos que fazem o nosso braço voar para cima e para baixo como se fosse uma alavanca, se não contrariarmos a força do movimento, o braço desvincula-se do corpo. Os apertos alicate são utilizados por aqueles que esmagam a mão para provar sua masculinidade. Esses indivíduos julgam que triturar ossos da mão alheia aufere algum tipo de manifestação de autoconfiança, mas não passam de anormais que concentram a força toda do corpo na mão porque não a tem em mais lado nenhum. Levar com os “colas” também não é fácil. Esses são aqueles que apertam a mão e depois puxam-nos para perto deles até sentirmos o seu bafo de hálito a cebola. Normalmente querem dar sinal de proximidade quando ela não existe e como não queremos ser antipáticos esboçamos um sorriso amarelo e ficamos embrulhados entre duas forças… a tentativa de afastamento e a outra que impede esse mesmo afastamento. Um dos piores é o cumprimento suado, o nosso instinto natural é limpar a mão às calças e procurar de imediato um lavatório, mas nunca o fazemos por inibição, e depois enquanto o gajo fala ficamos ali com a mão pendurada a pedir-nos ajuda sem lhe podermos prestar nenhum tipo de auxílio. E já agora porque é que os padres apertam a nossa mão e em seguida cobrem com todo o carinho as costas dela com a mão esquerda, envolvendo sua mão com ambas as dele? Uma coisa que irei começar a fazer por antecipação é perguntar à pessoa o tipo de cumprimento que pretende utilizar para não ser surpreendido, assim respondo na mesma magnitude.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A WC errada

Se existem períodos de reflexão na vida de um homem é no momento que está a expulsar a sua urina do organismo. Ele eleva a sua satisfação ao auge, sabe-lhe bem ser dominante, ele é que decide quando abrir a cancela das calças, é ele quem dá autorização para abrir as comportas que oferecem à urina a liberdade, é ele que define o momento certo para guardar o seu bem mais precioso … ele sabe que pode não haver outras oportunidades de soberania, ali em frente ao urinol ele é o rei que subordina o seu criado. Naquele lugar o homem sente-se um erudito, é o seu local de culto, a ocasião perfeita para elevar os seus pensamentos… a liberdade de espírito articulada com a satisfação de ver correr o líquido que o corpo rejeita oferece-lhe um momento divino. Todavia, muitas vezes aparece a adversidade. Quem arquitetou a raça humana julgou ter conseguido confeccionar a perfeição. Não, enganou-se! Existem fenómenos inexplicáveis da biologia humana que se enquadram dentro de um conjunto de defeitos que a posteriori se vieram a revelar; de todos o mais bizarro é a incapacidade que o homem tem em urinar sob pressão. A verdade é essa, o homem não consegue mijar quando pressente alguém ou se sente observado, as canalizações do sistema urinário parece que entopem, a urina que for a caminho da saída retoma o caminho inverso... por vezes a vontade aperta mas se alguém se aproxima aquilo trava, e se ocorre numa casa de banho pública o fenómeno expande-se em cadeia chegando a um ponto em que a presença de todos bloqueia a vontade uns dos outros até que de repente estão todos em frente ao urinol cheios de empenho mas ninguém mija. Forma-se ali um mal estar disfarçado de competição, uns desistem e desaparecem sem urinar, outros persistem como de uma prova se tratasse, quase como um campeonato do mundo, daí a sigla WC (World Cup). O ideal é urinar solitariamente mas se temos o azar de entrarmos numa wc como a da figura, urinar transforma-se num desafio. Quem fez uma casa de banho com este design ou foi uma mulher ou então não percebe nada da natureza do homem. Se a intenção era poupar nas limpezas foi bem conseguido porque um homem ali dificilmente mija, por motivo de erecção descontrolada ou por inércia dum organismo rendido à pressão criada pelo olhar fictício de mulheres curiosas…

domingo, 9 de setembro de 2012

Muitíssimo obrigadíssimo!

O nosso quotidiano é abonado em cenas estranhas. As pessoas passam a vida a tentar imitar-se umas às outras e sem se aperceberem caem no ridículo. Um acontecimento que me faz espécie é assistir permanentemente às incongruências entre as ações comportamentais e as comunicacionais. Algumas pessoas têm a mania de absorver palavras de um emissor qualquer, e porque julgam que tem uma pitada de fineza ou então porque anseiam impressionar, aplicam-nas em momentos desacertados. O exemplo máximo deste paradigma é a utilização de uma expressão que, com toda a franqueza, já me atordoa, pela razão de ser massivamente utilizada…ou mal utilizada. Estou a referir-me ao capricho das pessoas em utilizarem a palavra “obrigadíssimo” como bandeira de qualquer agradecimento. Na nossa vida atual utiliza-se mais vezes o “obrigadíssimo” do que o “obrigado”, a malta quase que se esqueceu de agradecer com a palavra “obrigado”, e porquê? Para algumas pessoas pronunciar “obrigadíssimo" é chique, soa bem, talvez impressione, querem ser exageradamente simpáticos, tencionam formar boa impressão nos outros, até podem dizer quatro ou cinco asneiradas mas depois complementam com o… “obrigadíssimo”. Elas envaidecem-se tanto na utilização desse vocábulo que até às portas automáticas do Jumbo dizem “obrigadíssimo”. Essa palavra infelizmente vive agora na trivialidade. Ela na sua essência é muito mais que “obrigado”, é “obrigado” ao cubo, devia ser utilizada só em circunstâncias imponentes como num salvamento de uma vida ou outra coisa do género, mas não, em tudo o que é acontecimento supérfluo lá está ela; seguramos numa porta para uma pessoa passar e ouvimos; “obrigadíssimo”, apanhamos uma merda qualquer que uma pessoa tenha deixado cair e escutamos “obrigadíssimo”, respondemos “viva” a um espirro e…”obrigadíssimo”; até parece que foram feitos favores do outro mundo, o agradecimento é de tal ordem que até sentimos que lhe ficamos a dever um favor. Mas pior é o “muito obrigadíssimo”… O que é isto??? Esta bacorada ultrapassa todos os limites… Esta expressão provoca de imediato arrependimento de qualquer favor que tenha sido feito… Devia haver uma multa para quem empregasse a palavra “obrigadíssimo” em vão, e vou mais longe, as escolas têm disciplinas que não servem para nada como a matemática e português quando deviam ter uma disciplina que ensinasse o uso correto das palavras de agradecimento. Outro fenómeno inexplicável é saber que existem todo o tipo de associações, dos animais, dos deficientes, dos alcoólicos e não há nenhuma que lute contra o uso indevido do “obrigadíssimo”. – Aqui está o seu cafezinho. Muitíssimo obrigadíssimo…

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O mal da buzina

Já lá vão muitos anos, ainda o mar morto andava doente, quando me vi envolvido numa guerra com os livros de biologia em que o grande derrotado fora o próprio exame. Lembro-me que uma das batalhas na altura era provocar a nossa memória com a taxonomia de Lineu em que nos ordenavam que memorizássemos o nome de todas as classificações dos animais numa hierarquia. Pelas razões mais óbvias o único que decorei foi a classificação do homem; Reino: Animalia, Filo: Chordata, Subfilo: Vertebrata, Classe: Mammalia, Ordem: Primata, Família: Hominidae, Género: Homo, Espécie: Homo Sapiens. Mas esta linhagem está incompleta e se o Lineu estivesse vivo ia levar comigo… Infelizmente existe uma sub-espécie para o homem!! Essa sub-espécie são aqueles homens que têm a estúpida mania de buzinar “bii bii” às mulheres que vão distraidamente no passeio. Será que eles pensam que a mulher vai olhar, saltar para dentro do carro e convidá-lo para ir ao motel? Será que eles crêem que elas vão fixar a matrícula e posteriormente vão procurá-los como se o mundo fosse acabar? Será que acreditam que esse método é uma forma de sedução? Ainda para mais são tão burros que apitam e vão embora…mas certamente que no seu íntimo esperam que elas iniciem uma corrida desenfreada atrás do carro. Se nunca ninguém em nenhuma parte do mundo engatou alguém através desse método porque é que insistem? Todo esse comportamento era justificado se fosse um indivíduo com pinta a conduzir um Porsche, mas o que se sucede é precisamente o inverso, eles são adeptos do “furgão” de caixa aberta e transportam uma fronha que os devia obrigar a desejarem passar despercebidos, mas não, invocam-na com orgulho. Eles acreditam que as mulheres se extasiam com o pó de cimento que habita nas suas sobrancelhas e que o brilho que emanam das camadas de suor que envolvem o corpo provoca irresistibilidade. Para eles os dentes podres são a alma de toda a atração e ostentam um chapéu todo badalhoco a dizer ”tintas Robbialac” que molda um penteado que mais parece terem sido lambidos por uma vaca. E o pior, é se a buzinadela é acompanhada por um piropo… o piropo é o tiro de partida que inicia a competição que determina o mais burro dos estúpidos. Normalmente vence aquele que disser a frase mais ordinária porque para eles isso é sinal de inteligência, e sem hesitar aproveitam de imediato esse grande feito para se motivarem para no dia seguinte repetir a façanha. Como será viver na cabeça deles? Será que se sentem grandes conquistadores? Será que acreditam que fizeram uma proeza imperial? Coitadas das mulheres…

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O orgasmo feminino

O homem sempre se debruçou pelo estudo do mistério do orgasmo feminino, existem centenas de investigações, kilos de literatura, milhares de horas de pesquisa, tudo para encontrar um resposta plausível que explique as múltiplas viagens ao éden das mulheres. Surgiram agora dados novos que impõem uma mudança no mundo daqui para a frente…uma conhecida sexóloga apresentou uma pesquisa feita nos Estados Unidos na qual se mediu a descarga elétrica emitida pela periquita no momento do orgasmo. Os resultados mostram que, no momento supremo de todo o desvario, a pardaleca dispara uma carga de 250.000 microvolts, o que pressupõe que, 5 passarinhas ligadas em série na hora do “ai meu Deus” são suficientes para acender uma lâmpada, uma dúzia capaz de provocar a ignição no motor de um carocha com a bateria em baixo e se juntarmos milhares podem substituir as barragens, o que era óptimo para o salmão que já podia subir o rio sem problemas. Até já há mulheres a treinar para carregar a bateria do telemóvel: dizem que é só ter o orgasmo e, tchan…carregar. Tudo isto não deixa de ser um contrassenso porque os homens é que tem a Moreia mas são as mulheres a dar o choque. Portanto, é preciso ter muito cuidado porque aquilo, afinal, não é uma vagina, é uma torradeira elétrica!!! O pior é se aquilo dá curto-circuito na altura de ‘virar os olhos’, para além de vesgo, fica-se com a doença de Parkinson e com a salsicha assada. O preservativo agora é ineficaz sendo que é imperativo utilizar as novas camisinhas da Michelin. Outra preocupação é o momento da descarga…é recomendável o uso de sapatos de borracha sem nunca os descalçar, e não pisar o chão molhado. É também aconselhável que, antes de se começar a molhar o biscoito perguntar à parceira se a parreca é de 110 ou de 220 volts, não se vá esturricar a alheira… Ainda assim quem quiser optar pelo método mais seguro deve colocar o fio terra no cu…

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Urgência do hóspital

Já passaram muitas jornadas mas ainda vive na minha memória a professora de português que se espumava toda para ensinar os nomes colectivos como se fosse algo de muito importante para o futuro de cada aluno. Pessoalmente considero um saber desnecessário porque ocupamos o nosso cérebro com um conjunto de palavras destinadas a cada espécie quando a frase “um grupo de” dava para tudo…economizava-se espaço cerebral. Mas se há nomes colectivos para quase todas as espécies porque é que os ciganos não têm? Alguém me explica? Eles andam sempre juntos como os cardumes, só fazem ninhadas, cheiram mal como as cáfilas, por vezes atacam como as alcateias, são agressivos como as manadas, berram como os rebanhos, são limpos como as varas e vivem no meio do pinhal. Se alguém tem dúvidas de tais atributos que compareça à porta das urgências dos hospitais, eles parecem que vivem lá… A presença de todos é fundamental, não há geração que falhe, desde os putos com a face revestida a ranho até às velhas com aqueles brincos que esticam as orelhas até aos joelhos. São como ratos, são dezenas, e não fica ninguém a tomar conta do barraco, vem tudo atrás do doente e se não estiver na hora de ir buscar o rendimento mínimo, até que ele saia ninguém do grupo arreda pé… Eles não trabalham? Então investiram tempo e dinheiro na universidade a tirar cursos comerciais para vender balões nas romarias e roupa nas feiras e agora deitam esse talento ao lixo? Ao menos que trouxessem os balões para vender na pediatria… E depois à boleia da vaidade gostam de invocar a sua forma de falar como se de uma ópera se tratasse, tendo o vício irritante de prolongar sempre o último som da última palavra de cada frase; “Ai mãeeeeeee”, “ Anda cá filhooooooo”,”que raio de tempooooo”, doí-me a cabeçaaaaaaa”… E a roupa… eles são tão preguiçosos que nem querem ter o trabalho de pensar em conjugar cores de roupa…usam o preto e está tudo muito bem, assim dá para usar a mesma roupa seguida durante 2 anos sem se notar as nódoas…e ainda dá para os outros quando não servir.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Maldita página do jornal Ojogo




"Saudade é amar um passado que ainda não passou. É recusar o presente que nos magoa. É não ver o futuro que nos convida..." Pablo Neruda descreve esse sentimento como ninguém… É precisamente isso que eu leio nas expressões dos velhotes quando estão a devorar a última página do jornal “Ojogo”. “Ai se me aparecesses em novo…” é uma frase muitas vezes proferida por eles, é uma nostalgia profunda que invade de tristeza quem os observa. Mas não deixa de ser engraçado assistir num qualquer café às disputas constantes entre os velhos para tomar de assalto uma página de um jornal que vive em sobressalto num espaçozito do balcão…o tempo é religiosamente cronometrado, a fila para o melhor lugar ultrapassa, seguramente, uns 20 longos metros. Mas as dúvidas sobrepõem-se às certezas… Para que é que eles insistem em vasculhar tal página? O único efeito biológico que se assiste é ao aumento da produção da saliva, o resto está em greve por tempo indeterminado…ou mesmo terminado. O problema é que exaustos da saudade passam para o extremo e para contrariar a frustração da sua impossibilidade, dominados pelo impulso, atiram-se ao comprimido azul com toda a loucura e quem paga é a mulher que tem que ter o trabalho de retirar todas os jarros e vasos de cima dos móveis lá de casa. O sentimento de saudade é agora substituído pela ansiedade porque não há forma de a gravidade fazer o seu papel. Nessas condições não é possível ter uma vida normal, não podem sair de casa porque a porta do elevador não fecha, tem que dormir para o lado da janela com ela aberta, tem que ir buscar o escadote para fazer xixi, mas também tem a vantagem de não precisar do comando da televisão… Mas qualquer das maneiras deviam de ter mais cuidado senão o coração vai à vida...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Poupar no telefone




Falar ao telefone tem muito que se lhe diga. Sem repararmos oferecemos muito dinheiro às operadoras porque despendemos muito tempo com conversas que não interessam para nada e neste caso tempo é dinheiro…perdido. A gestão das palavras é muito mal feita pela maioria das pessoas porque envereda pelos caminhos de hábitos linguísticos desnecessários. Acontece muitas vezes ligarmos para o Aurélio e a primeira coisa que perguntamos é; “És tu Aurélio?” Para quê esta pergunta… a probabilidade de ser o Aurélio e não ser o Feliciano é muito grande. E depois vem a segunda; “Está tudo bem?”. Quem faz esta pergunta já sabe que resposta vai ter; “Está tudo e contigo?”. Todos nós sabemos que esta resposta coabita com aquela pergunta, e se sabemos porque é que a fazemos? Quem faz a pergunta não quer saber para nada se a pessoa está bem ou está mal, e a pessoa que responde mesmo que esteja a morrer dá sempre essa resposta, é um mecanismo impulsivo. Das que mais gosto de ouvir é; “Podes falar?”. Há muita gente que não sabe disso mas eu vou tentar elucidá-las…quando uma pessoa atente o telefone é porque pode falar, se não pudesse não atendia…daaa! Outra pergunta estúpida que se faz muitas vezes é; “ Então que estás a fazer?” Então se a pessoa está outro lado da "linha” é óbvio que está ao telefone a falar com a burra da pessoa que fez a pergunta. Depois a introdução ao tema que queremos abordar quase sempre começa com; “Olha estou-te a ligar porque…”. A outra pessoa já sabe que lhe está a ligar não é preciso lembrar, para quê perder tempo com isso. E aquela mania que as pessoas têm de utilizar a expressão ”bla, bla, bla, estás a ver?” Para quê utiliza-la ao telefone? Se a outra pessoa está num sítio diferente é evidente que não pode ter a mesma visão e isto tudo só acaba quando alguém a disser: “Se precisares de alguma coisa telefona!”. É uma frase que me dizem muitas vezes o que me deixa descansado, visto que a maioria das pessoas que me telefonam estão relativamente longe de mim e se estão perto e me telefonam é porque são parvas. Vivemos numa época agitada e tudo vale para poupar algum dinheiro e nada melhor do que aprender a economizar melhor o tempo e as palavras a falar ao telefone.

Ir ao cinema

Com o Verão na recta final e os dias de praia a escassearem aos fins-de-semana, retomar as idas ao cinema é um acontecimento perfeitamente comum para qualquer um de nós. A maioria vai ao cinema por puro deleite ou para se alhear da realidade, para se distrair ou porque quer viver momentos agradáveis e absorver as histórias que os filmes nos trazem. O problema é que as vivencias na sala de cinema podem ser contrárias a esse nosso desejo. Mal entramos na arena ficamos logo com cadáveres de pipocas colados na sola do sapato da sessão anterior, e depois não menos irritante é a pontualidade… é para nós difícil satisfazer as nossas nádegas na procura da melhor posição no contacto com a cadeira e quando encontramos o ponto certo aparece sempre alguém a querer passar, mesmo depois do filme ter iniciado, sem sequer esboçarem um sorriso ou expressarem algum tipo de desconforto. Um “obrigado” apazigua e fica sempre bem. Depois há os telemóveis. Dizem que estes devem estar desligados mas, na prática, muitos não o fazem. Se tem a funcionalidade de “silêncio” porque é que não a usam? E depois passam o filme a receber e enviar mensagens e a distrair quem está por perto. Outra coisa que incomoda são os barulhos dos casais que aproveitam a escuridão do cinema para mastigar a língua um do outro e se temos o azar de ficarem atrás de nós passamos o filme todo a sentir a nossa cadeira a ser empurrada para a frente…não há mais sítios para o fazer com mais privacidade? Mas o que mais me incomoda são os pipoqueiros… mais uma rasquice americana que invadiu os cinemas em Portugal. É repugnante o ruído do ruminar das pipocas, e depois o mais intrigante é ouvir os fanáticos das pipocas a vasculhar um balde com 500 mil pipocas durante 5 minutos para tirar uma, parece que estão à procura de alguma em especial e o pior de tudo é ouvir esses criminosos a cuspir os bocados não deglutinados para a fila da frente. E o cheiro da pipocada? Bem, vou deixar de ir ao cinema. Devia de haver uma lei anti-pipocas nas salas de cinema.

Que vidinha



A vida insiste em esconder as respostas de muitas incógnitas, não custava nada sabermos mais do que nos é permitido saber. O nosso quotidiano permite-nos desfrutar de algumas inquietudes saborosas mas o que eu verdadeiramente gostava de saber não é se há vida para além do adormecimento eterno, nem se partilhamos o universo com outras entidades, nem mesmo saber se existe alguma personagem que nos comanda como um jogo de playstation…eu só queria perceber porque é que as senhoras quando pedem alguma coisa num qualquer estabelecimento comercial acrescentam sempre uma palavra com terminação em “inho” ao pedido que desejam. Elas nem se apercebem, querem ser simpáticas mas no fundo são é chatas, é uma necessidade que lhes sai das entranhas que evidencia uma mesquinhes irritante; “ Queria um café quentinho”; O empregado por mais que se esforçasse nunca conseguiria tirar o café frio porque sai obrigatoriamente quente da máquina. “ Queria 12 pães tostadinhos”; será que se disserem simplesmente tostados sem o “inho”o funcionário levará a mal? “200g de fiambre fininho.”; Porque é que não dizem fino? É para não confundir com o copo da cerveja? “1 k de bife da pá tenrinho.” Elas não percebem que o facto de reforçarem o pedido com palavras fofinhas é insignificante para quem as serve, aliás até acho que poderá ter o efeito contrário porque os funcionários não estão para as aturar. “Quero o meu bife bem passadinho”; que carinhosas que são…

Touradas

Estamos em 2012 e ainda há pessoas que se divertem com o sofrimento dos animais. Essas pessoas tem o cérebro pequeno, ainda vivem na idade média… Não me digam para respeitar os gostos de cada um porque recuso-me a respeitar aqueles que se divertem a violentar animais inocentes. Acordem, estamos no séc. XXI. Andam sempre com o argumento estúpido (não tem outro) da tradição mas lembro que a crucificação, a tortura e a pena de morte também já foram tradição e foram abolidas porque há uma coisa que esses ignorantes não conhecem…chama-se evolução…EVOLUÇÃO. Eu gostava era de enfiar uma bandarilha nas costas dos que apreciam esta merda e sentar os touros na bancada a rir-se e a bater as patas… 

Falar com adolescentes

Ter uma conversa com adolescentes poderá tornar-se numa experiência digna dum “conto de favas”. Eu admito que é “altamente” ter umas expressões que cativem a malta numa de conseguir obter a posição de líder do bando mas não consigo disfarçar a inflamação que isso me provoca. Com algum esforço lá vou apelando à minha condescendência, mesmo sentindo aquela mania que eles têm em tratar os da mesma idade por “chavalo” para se sentirem em cima de um palanque, e como se isso não bastasse, seguidamente, somos agredidos com pseudo-palavras instantâneas que vivem na ponta da língua dos gajos que dão para todo o tipo de conteúdo linguístico. O ideal era utilizarem essa linguagem entre eles mas não distinguem ninguém. Inquietante é tentar perceber a origem desse palavreado…Quem foi o filha da mãe que o inventou??? - Então estás bom? “Tá-se bem”… Não estás com boa cara? “Ya meu, tou um coto chunga...” Porquê, aconteceu alguma coisa? “O meu cota desatinou comigo!” Pois, acontece quando não nos portamos bem. “Caga nisso, é totil chunga mas que se lixe.” Deve ter as suas razões, não deve? “Ontem foi curtir, desbundei tótil mas caguei nas horas…” Divertiste-te ao menos? “Não curti à brava…fui a uma rave, convidei uma gaja e ela curtiu tótil a ideia. Quando ela entrou andou à toa durante um coche, estava um som altamente, só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater das 2 da manhã, tás a ver, meu? Durante a party um mano cheio da papel topo-a e começou a gala-la, aí quase que me passava dos carretos, desbundaram "ól naite long", mas depois tive que axandrar. Quando a gaja bazou o mitra ficou completamente atarantado e foi atrás dela. Ainda esperei que ela voltasse mas nunca mais lhe pus os olhos em cima e dei de frosques. As gajas às vezes são fatelas… é a vida…my friend, vou bazar, vou ao morfes." ............ Hã????? É preciso um dicionário…

Um dia de praia


Portugal não ganhou muitas medalhas em Londres mas não faltam atributos para nos regozijarmos… Não há medalhas que valham a nossa comida, o nosso sol e fundamentalmente as nossas praias. De facto, ir à praia até se pode transformar numa experiência hilariante…começamos sempre por nos envolver numa porrada desenfreada com a nossa toalha porque a estúpida nunca se quer deitar, quando conseguida a vitória só queremos estar na paz, observar a linha onde o céu se junta ao mar, fechar os olhos para escutar a orquestra que sai das ondas, deixarmo-nos ir à boleia do nosso pensamento…mas há sempre merdas que estorvam a nossa introspeção. Os gajos das bolas de Berlim são como as moscas, os avecs do lado esquerdo a falar como se sabe, do lado direito lisboetas com o seu sotaque abichanado mas pior está reservado para a minha frente… aquilo que estava à minha frente é a praga das praias…é a mania que as namoradas têm em tirar pontos negros das costas dos namorados como os macacos a catar piolhos. O que é que elas têm contra os pontos negros? É por serem negros? Isso soa um pouco a racismo. Já experimentaram colocar-se no lugar de um ponto negro? Alguém gosta de fazer uma ressonância magnética? Então imaginem viver nessa máquina a vida inteira, há que ter respeito pelos enclausurados. Mas elas são viciadas nessa atividade, quanto mais tiram pior, por vezes até arrancam sinais de pele e quando aparece daqueles pontos negros difíceis que se agarram ao poro então é que elas se espumam, espetam aquelas unhacas na pele do namorado que até carne sai. O tipo de pontos negros que mais prazer lhes dá são os tomahawks, o disparo chega a atingir os 3 metros de distância, o que é um nojo porque quem esta atrás, como eu estava, é obrigado a vestir uma armadura anti pontos negros…o pior disto tudo é ver pontos negros misturado na areia e se esta mania continuar a crescer qualquer dia teremos na praia mais pontos negros que a própria areia. Da mesma forma que já existe para as baronas eu sugeria, para bem de todos, que se começasse a colocar na praia recipientes para os pontos negros.