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Um fenómeno preocupante que
infecta as pessoas é a facilidade com que acreditam no senso comum. Esse tipo de
sabedoria é produto de uma invenção que à boleia das palavras se espalha
descontroladamente tornando-se mais poderosa que a precisão científica. Isso
incomoda qualquer sábio! Uma situação evidente e intolerável é o hábito de se
dizer que a Terra é completamente redonda o que não é verdade. O planeta Terra
devido ao peso dos ursos polares e dos pinguins é achatado nos polos, logo é
uma elipse. Aí está um enigma que nunca percebi; porque razão o autor deste
mundo desapegou estas espécies por 11000 kilómetros, davam-se mal? Isto está
muito mal feito de início, quem deveria viver em cada polo eram os muçulmanos e
os judeus. Mas se os pinguins foram empurrados para a terra do nunca é por alguma
razão, devem ser chatos…mas na verdade não foram todos, no meu mundo
conseguimos observa-los em cada rua armados em espertos a coagir parvalhões com
orelhas de burro a chamar-lhes “dotor”. Eles dão a sensação que ingressam na
faculdade não para estudar mas para pompear aquela farpela. E depois esses cromos,
prisioneiros da ânsia de poder observar a submissão no rosto dos outros, não se
importam de acarretar um uniforme quente como um forno que os põe a suar como cavalos.
O desejo de se exibirem não lhes dá tempo para lavar nem secar, no dia seguinte
vestem a mesma porcaria com uma fragrância que tresanda. A pior praxe é
cheira-los! Um cenário entediante é ver um gajo com o cognome de Dux no papel
de dominante quando na prática é o mais idiota da faculdade, tem em média 32
inscrições mas são os maiores. Não tenho duvidas que a maioria dos estudantes aproveitam as práticas
estudantis para alimentar o ego, vê-se isso na vontade louca de ingressar na
tuna; podes não saber tocar nem cantar mas se fores abanar uma bandeira ou se
te disponibilizares para abarcares com a tarefa dificílima de bater numa
pandeireta já entraste. O mais frequente é
assistir a anormais que só fizeram uma cadeira no 1º ano e como se inscreveram
numa cadeira do 2º ano se intitulam de “dotores”. Para eles os caloiros não são
pessoas, são bestas com cascos. E depois envergam aquele traje com uma vaidade
que mais parece que estão em permanente desfile na passarela a competir para
ver quem tem mais emblemas. Os emblemas marcam uma hierarquia, quem cozer mais
de 2500 vence, pode não ter nada a ver com a pessoa mas o importante é
carrega-los. O mais caricato é quem se atrever a vestir essa armadura escura é
obrigado a respeitar um conjunto de normas muito inteligentes; não se pode
(teoricamente) usar relógio nem brincos com o traje mas usar chupetas e rolos
da massa em miniatura pendurados na vestimenta é que dá estilo. Pior do que
tudo é dizer-se que as praxes são uma forma de integração, e no fundo faz todo
o sentido porque não há melhor forma de inclusão grupal do que andar de joelhos
a rastejar com um penico na cabeça a puxar latas de Ice Tea presas às pernas. Incrível é observar os ditos “dotores” a encabeçar uma competição para ver quem embebeda
primeiro as caloiras da trabinca para lhes saltar em cima. Não conseguem de
outra forma! Os culpados em certa medida são os familiares que os bajulam
sempre que os vêem vestidos à pinguim, a emocionalidade que libertam ultrapassa
todos os limites da compreensão, muitas vezes nem sabem que curso frequentam ou
pode ate ser um curso de merda mas o importante é vê-los naquela figura. Eu de
bom agrado colocava estes pinguins na Antárctida, ou melhor, no Árctico para
praxarem os ursos polares.
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