quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Tripas que fazem mal às tripas

Um grego qualquer um dia disse "O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade." É das tais verdades que não são mentira!! No nosso caminho de existência temos que manter o ritmo certo, só assim poderemos observar os focos de felicidade que existem nas bermas. O grande desafio daqueles que respiram é encontrar o ponto de equilíbrio da velocidade da vida, quem vive muito depressa passa pelos prazeres da vida sem os ver, quem vive devagar nunca chega até eles. Mas isto não deixa de ser controverso porque podemos experimentar um prazer que depois se transforma em desprazer mas se não tivéssemos experimentado esse gozo também não teríamos sentido o contrário. Este dualismo confronta-nos diariamente e a escolha sobre um deles depende de impulsos muitas vezes inconscientes. Onde este conflito paira muitas vezes é na nossa relação com a comida, precisamente, quando sabemos que tal comida nos pode fazer uma maldade, mas ainda assim arriscamos comê-la. Um dos grandes riscos na nossa vida é comer tripas à moda do Porto antes de uma reunião importante. Como em quase todos os contos aqui a história também começa bem mas à medida que a reunião vai evoluindo vai-se começando a sentir uma pressão no rabiosque. Nesta fase ninguém se preocupa porque aperta-se as nádegas e o atrevido volta para trás, mas o que nós não sabemos é que aquele solitário tinha como missão estudar as condições de evacuação. Após dez minutos sem sentir nada começamos a acreditar que o gajo se rendeu mas essa não é a verdade, eles aproveitam esse tempo para se organizar. Começamos gradualmente a sentir um desconforto no aparelho intestinal, ouvem-se uns barulhos estranhos provenientes do nosso interior como um autêntico aviso de guerra. Forma-se uma espécie de motim intestinal e é nesse momento que percebemos que vai haver chatices. Sem tempo para organizar defesa recebemos de imediato a primeira vaga de ataques como um tsunami. Ainda pensamos em lhes dar liberdade mas nunca sabemos que odor transportam e sob pena de fazer má figura em frente ao chefe preferimos não arriscar e decidimos concentrar todas as nossas forças nas bordas do cú apertando-as ao máximo. Os gajos não desistem e estão unidos, dá a sensação que estão por dentro a bater com um tronco contra uma porta até a derrubar. O pior é quando chega a nossa vez de dissertar numa apresentação em Power Point. Do lugar até ao quadro manifestamos um andar estranho, quase denunciador, devido à contração das nádegas, e ali é que estamos proibidos de perder a guerra senão forma-se uma corrente de ar capaz de despentear todos os que estão na sala. A volta ao lugar parece uma miragem, começamos a questionar-nos se tínhamos mastigado os feijões tal era a força dos gajos. Conseguida a volta ao lugar, sem vacilar, pedimos ajuda à cadeira na tentativa de impedir a saída dos desertores, até que aparece a segunda vaga de ataques quase fatais…os gajos estão motivados e decididos em sair, dão a ideia de estar encavalitados uns sobre os outros a gritar puxa, puxa, puxa, outros atrás com catapultas a lançar bolas de fogo contra a saída; a cor da nossa face é denunciadora, até as bochechas da cara estão inchadas, a reunião nunca mais termina, não há forças para resistir por muito mais tempo, o desespero toma conta de nós… Até que chega a boa notícia!! A reunião acabara e nos só queremos voar dali. Vamos a correr para o elevador e mal esperamos que a porta feche abrimos as comportas absolutamente exaustas e maltratadas e… PUM!!! Foi como estar no metro de Tóquio a inalar gás sarin…o desespero fez-nos esquecer de tocar no botão do elevador que nos levava à saída e nesse momento vemos a porta do elevador a abrir com a malta da reunião à espera para entrar…

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