quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Natal porquê?

A altura da confusão aproxima-se com ligeireza mas sem subtileza. Considerada por muitas criaturas a temporada mais aprazível do ano não deixa de ser igualmente a mais paradigmática e controversa. Existem aqueles que a vivem com inquestionável superficialidade o que lhes permite desfrutar de todos os costumes e hábitos que a época oferece e outros que ultrapassam a barreira do visível viajando ao profundo na pura tentativa de perceber a origem desses mesmos usos e tradições. Os primeiros “curtem” os segundos questionam-se. A palavra natal vem do latim e deriva do verbo nascor (nasceris, naci, natus sum) que tem o sentido de nascer…mas as únicas referencias escritas do nascimento de Cristo revelam que nasceu em Março!!! Mais inquietante é tentarmos perceber a relação do pinheiro que nesta altura vive dentro de cada casa com o nascimento de Cristo. Quem é que se lembrou do colocar um pinheiro a simbolizar o Natal? Será que Jesus Cristo não nasceu numa gruta mas em cima de um pinheiro e estamos todos enganados? Ou será que os reis Magos estavam a fumar uma “ganza” deitados num ramo do pinheiro quando viram as estrelas cheias de speed? E depois há a mania de colocar um pouco de algodão a envolver o pinheiro para dar a ideia de neve como se na Palestina, terra onde Cristo nasceu, nevasse de manhã à noite. Mais caricato são as bolas penduradas…para que servem as bolas? Se forem ao pinhal de Leiria não há pinheiro nenhum que tenha bolas penduradas; para que é que foram trazer essa mania para os pinheiros de Natal? Só se for para homenagear as bolas do S.José que libertaram o fruto que deu origem ao menino Jesus mas toda a gente diz que foi concebido sem pecado… E depois no aconchego das ditas bolas estão as fitinhas cuja única função é cagar o chão da sala. As fitinhas são como um cachecol que abraçam a árvore transformando-a numa Belle Dominique cheia de plumas. Mas a maior paranóia são as luzes. Para que servem? Para marcar o ritmo das convulsões nos epitéticos? Mas a cereja em cima do bolo foi a invenção do Pai Natal. Uma criança esperta não acredita que um homem gordo consiga descer uma chaminé para colocar um presente numa…meia. Ainda por cima numa meia? Se fosse numas ceroulas ou num gorro estragava a história? E as casas que não tiverem chaminé ele entra pela sanita? E se ele descer pela chaminé como é que não suja a sua longa barba? Mas o melhor de tudo são as prendas. O mais chato é termos o trabalho de retirar a massa, o arroz e o atum da dispensa para lá colocarmos as toneladas de Ferreros Rocher que recebemos e como se isso não bastasse somos obrigados a arranjar espaço nas nossas gavetas para os kilos de meias e boxer provenientes das pessoas mais antigas da família. Já que o Natal é tão importante para as famílias porque é que não se inventa um doce melhor do que pão frito com canela a cavalo? O mais grave de tudo nesta época é a impossibilidade de podermos ver televisão sob pena de quando fecharmos os olhos para adormecemos a nossa mente ser assaltada pela dança erótica da Popota à boleia da sua música irritante. A grande missão deste defeso é convencer as pessoas através de uma mensagem que afinal lhes desejamos um bom natal porque está implícito que na ausência da mesma mensagem lhes desejamos um péssimo natal.  A quantidade de toques de aviso das sms está estritamente relacionado com o limiar de felicidade que a pessoa apresenta nesta época, por vezes a família reúne-se no sofá para competir o volume de mensagens recebidas. Ir às compras nesta fase seja qual for a loja quem nos atende ou há-de ser a Mariah Carey a cantar “All i want for christmas is you” ou o George Michael com o “Last Christmas” e depois são músicas que se entranham dentro de nós empurrando-nos quase até à loucura. Outra tradição milenar na qual tenho profundo respeito é o bacalhau da consoada, a utilização do bacalhau como prato forte da noite de Natal vem desde o ano I DC quando Jesus Cristo com 11 meses de vida no momento que estava a descascar batatas, observou uma couve e lembrou-se, decidiu e comunicou ao mundo: “MEUS AMIGOS A PARTIR DE HOJE A ALIMENTAÇÃO PREDOMINANTE NA NOITE DE CONSOADA VAI SER BACALHAU COM TODOS…COM O OVO BEM COZIDO”!!! Não foi difícil só teve que transformar a água em bacalhau...

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Manias nos casamentos

Para a maioria das pessoas existem alguns segundos nas comuns manhãs que chateiam. O momento do acordar é a nossa tortura diária, por vezes até nos custa adormecer porque sabemos que esse suplício estará presente no próximo abrir de olhos, quase que não dá para saborearmos o sono, a noite passa a correr, entre o adormecer e a tortura corre um espaço temporal à velocidade da luz oferecendo a sensação de dormimos num intervalo entre dois pestanejares. Dormir também adormece os nossos problemas e as nossas responsabilidades, oferece-nos uma serenidade capaz de nos elevar a um mundo espiritual que nos rejuvenesce, dedica-nos sonhos e meditações. A realidade vem com o acordar e é nessa altura que as inquietudes da vida se apoderam da nossa aura. Para mim essa realidade assalta-me todas as manhãs com uma pergunta na qual penso nunca encontrar resposta, é como uma perseguição, não há manhã que não tente encontrar a solução para esse enigma… QUAL SERÁ O SIGNIFICADO DAS BUZINADELAS DOS CARROS NUM CASAMENTO? Esta pergunta vive permanentemente na parede do meu quarto sempre que os meus olhos se abrem para encarar o dia. Como é que seria antes de haver automóveis? Ia a malta toda nas carroças e obrigavam os cavalos a relinchar? Dá a sensação que existe uma competição entre os condutores que vão no cortejo, quem apitar mais vence uma garrafa de groselha e depois um fenómeno interessante é ver o cansaço tomar conta da mão que agride a buzina proporcionando uma ligeira necessidade de descanso e por inerência um certo silêncio do agrado de todos, mas se um se lembra de apitar voltam todos numa ânsia desenfreada a apitar loucamente abafando qualquer sirene dos bombeiros. E depois se um indivíduo apita uma vez o de trás é obrigado a apitar duas vezes, nestas circunstâncias ninguém se atreve a apitar menos de que o outro, o número de apitos tem de significar a proximidade a uns dois noivos. O pior de tudo é quando a corda de automóveis é separada por um solitário semáforo; quem ficar retido no sinal vermelho solta de imediato uma espuma de raiva motivada pela impossibilidade de poder mostrar aos que continuaram a marcha as suas estrondosas apitadelas. Mas qual será o significado dos apitos? Avisar o transeunte que ali vai um casamento? Porquê? O casamento é um momento bizarro que justifique avisar o povo da sua ocorrência? É quase tão descabido como bater no prato para pedir o beijo dos noivos…como se esse beijo significasse alguma coisa para o futuro de cada convidado. Enfim… Mas o apito não tem o mesmo significado se não tiver a companhia da rendinha abraçada à antena do carro ou ao retrovisor. Quem é que foi o idiota que se lembrou dessa merda?? De certeza que foi um gajo que tinha o fetiche das rendinhas e como não tinha gaja colocou no carro mas a verdade é que essa estúpida tradição chegou aos dias de hoje e faz parte dos momentos mais infelizes do dia de casamento, e ainda por cima a malta tem a mania de deixar a fitinha viver colada ao automóvel durante três meses só para dizer que esteve num casamento, só porque é giro dizer que esteve num casamento. Ainda para mais é branca como se hoje em dia as mulheres casassem imaculadas… Vou continuar em busca da resposta para decifrar este caso bicudo…

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Lisboa é um lugar estranho

Porto é Porto, Lisboa é Lisboa. Estou um pouco fatigado de estar sempre a ouvir os tripeiros a falar mal dos alfacinhas, como também já me faz comichão auditiva ouvir dizer que pertencemos a um país pequeno e que somos todos portugueses. Na verdade somos todos portugueses mas isso não representa qualquer tipo de igualdade, alias, se analisarmos à lupa a nossa história, a cultura, personalidade, arquitectura e paisagem percebemos com clareza que Portugal se decompõe em duas partes bem distintas, norte e sul. Sendo esta premissa inequívoca não significa que estes dois pólos não possam viver em harmonia e respeito. Com exactidão sabemos que existe, incompreensivelmente, uma relação de crispação entre as duas maiores cidades que se reflecte em todos os sectores da sociedade. Um paradigma que nunca percebi é a mania dos tripeiros, estupidamente, intitularem de forma pejorativa os lisboetas de “mouros” quando no tempo das invasões os mouros fugiram e deixaram para trás os camelos, portanto, os lisboetas nunca seriam designados de ” mouros” mas sim de “camelos”. A diferença entre os dois povos salienta-se até antes do nascimento, uma grávida de um lisboeta na primeira ecografia nunca vê um feto mas uma folha de alface, aos cinco meses de gestação o resultado do género é sempre inconclusivo sendo que essa incerteza perdurará até aos 20 anos porque terra que faz nascer Carlos Castro e Castelo Branco permite todo o tipo de fenómenos. Um bebé lisboeta quando nasce não chora diz “bué”, bebé que não diga “buè” é renegado e transferido para a Casa Pia. Um tripeiro diz o primeiro palavrão aos três anos, um lisboeta dez minutos antes de morrer; “- Foda-se estou quase a ir”. Num estádio de futebol o insulto define a origem da pessoa, um tripeiro diz ao árbitro palavras simpáticas como; “Ó filho da puta a tua mulher está com um preto, eu se te apanhar fodo-te todo!!”, um lisboeta timidamente aplica palavras insultuosas como; “Ó patife, seu energúmeno, você é um autêntico pateta!” O sotaque dos lisboetas começa a ser ensinado aos vinte meses, aos oito anos já conseguem dizer “caich'dré". Para os alfacinhas ténis não é um desporto, são sapatilhas, se exceptuarmos o Carlos Cruz um garoto não é um puto mas sim um pouco de leite com café. Aos vinte e cinco anos o lisboeta concretiza o sonho de ser taxista para poder ler na praça de táxis o jornal Abola recostado ao volante. O fado faz parte da sua alma, para eles é prática comum assistir numa casa para o efeito pessoas a terem convulsões do pescoço para cima enquanto cantam músicas melancólicas e todas esganiçadas. Um paradigma deste povo não é gostar de caracóis mas perceber como os apanham tendo em conta que trabalhar não é o seu forte. Outra característica interessante dos habitantes de lisboa é o hábito de definirem lisboa como uma cidade com muita luz e claridade quando as suas ruas e paragens do autocarro comprovam que o que não falta é escuridão. Por me lembrar dos autocarros parece-me no mínimo estranho atribuir o nome das linhas de ferro que suportam os comboios à empresa que gere os autocarros…não há dúvidas que parecem um povo diferente e depois é engraçado vê-los com um ar de preeminência a disfarçar o cagaço que tem a um qualquer espirro perdido. Os lisboetas são um pouco egocêntricos, acreditam que para além da CREL não há mais mundo, eles não arriscam ultrapassar essa barreira, porque não sabem, nem querem. Nessa terra a subespécie mais respeitada são os reformados com mais de setenta anos, são a única prova viva dos feitos internacionais do Benfica, são autênticos contadores de histórias, a malta gosta de os ouvir, a malta sabe que esse passado jamais sairá das palavras dos velhinhos. Mas o seu maior orgulho reside no maior embaixador da sua cidade, a sua grande referência, a alma lisboeta que difundiu o seu nome por todo o mundo, que ninguém ouse falar mal do seu ex-líbris, que ninguém se atreva por em causa o valor do seu bitoque, não há bitoque como o de Lisboa, a sua confeção é de uma dificuldade extraordinária, só os sábios lisboetas é que foram abençoados com essa arte. Todos nós somos um pouco do nosso meio, não existe ninguém imune à influência, nesse sentido devemos respeitar as diferenças, viver em paz e em plena harmonia, está na altura de deixarmos de gozar uns com os outros e darmos as mãos. Afinal somos todos portugueses.