Charles Darwin nunca disse que o homem evoluiu a partir do macaco. Se houvesse um processo evolutivo que transfigurasse chimpanzés em homens, seria lógico encontrar-se nos dias de hoje macacos transformados em homens, ou “chimpanzomens” de várias categorias. Acontece que homens e macacos atuais provêem de um ancestral comum, que provavelmente era parecido com um... macaco. É irrefutável que o trajeto desenvolvimental dos macacos contemporâneos tal como o dos homens coabitaram em duas linha de aperfeiçoamento que teve como resultado espécies diferentes com características comuns. A guerra do mais adaptado nasce neste momento. A verdade é que o macaco tem uma capacidade inata que lhe permite adaptar-se a qualquer selva, a qualquer espaço estranho, a qualquer árvore ou a qualquer floresta. O homem neste aspeto é inferior ao macaco, possui, inexplicavelmente, uma enorme insuficiência de adaptabilidade a determinados lugares, e a melhor prova disso é assistir à conduta de um homem no shopping. Um homem num shopping é como um urso polar no deserto Kalahari, vive absolutamente inadaptado aos requisitos latentes a esse ambiente. O homem tem a mania de dizer que as mulheres são indecisas mas já viram um homem a estacionar o carro no parque de estacionamento? Nunca estaciona no primeiro espaço disponível que vê, não serve qualquer lugar, tem de ser especial, e depois anda às voltas até se arrepender e quando decide voltar ao primeiro lugar disponível, este já foi. Precisa de ver cinco lugares para escolher um. Já no interior do shopping parecem protagonistas do filme “A lagoa azul”, transmitem sempre uma sensação de desorientação. Os homens são os únicos seres que param para ouvir o que a senhora do cartão Citibank tem para dizer porque julgam que é o seu charme que as faz chamar. No momento em que a baba chega aos pés iniciam novamente a marcha numa direção indeterminada até que esbarram numa loja de perfumes onde tem o hábito de entrar. Eu acho piada é ver esta espécie a tentar borrifar o papel de provas com o perfume mas nunca acertam vai sempre para o corpo e depois fazem isso com três ou quatro perfumes cuja mistura até faz desmaiar o urso da “Natura”. Continuando a saga a sapataria está logo ali, e é no momento em que o homem tira o sapato velho para experimentar o novo que todo o shopping faz “pause”; o cheiro a queijo não é nada se compararmos com a panorâmica da unha gigante agarrada ao dedo grande do pé que espreita fora da meia, uma unhaca digna de uma catana que resolvera agradecer à emprega a sua casa nova. A vontade de mijar aparece com toda a pujança, o alívio surge à medida da libertação da urina para um urinol solitário todo nojento que vive com uma rede que tinha sido verde mas que entretanto mudara para uma tonalidade cor de tijolo. A satisfação da última sacudidela faz sempre o homem esquecer de lavar as mãos, quem paga são os corrimões das escadas rolantes que ficam com os resquícios de urina que depois se alojam em mãos alheias, as mesmas mãos que depois vão buscar um cigarro para o transportar até à boca. Chegando às lojas de roupa o homem aplica outra estratégia que visa impressionar quem não estiver a ver. Para ele é “fixe” e charmoso dobrar a camisola que entretanto tirara da prateleira para experimentar, o problema é que não o sabe fazer e depois enrosca-se numa luta desregrada com a peça de vestuário que quando a devolve à prateleira está toda amarfanhada, quem sofre é a funcionária que terá a missão de a desdobrar para depois voltar a dobrar. O que é giro é vê-los na Fnac armados em catedráticos e fazer perguntas como: “ Ó amigo, qual é a capacidade deste portátil para ter internet?” Internet??? Essa palavra já não se usa, está ultrapassada, antiquada, obsoleta, diz-se net, é net que se diz… As pessoas que dizem internet representam todos aqueles que não percebem nada de informática, farmácia já não se escreve que ph, toca a evoluir. Bem, decididamente e inequivocamente as mulheres estão mais adaptadas à vida no shopping sabem comportar-se, preparam-se e vivem numa harmoniosa relação com todos produtos, o homem nem para lá caminha.







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