sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Então, estás bom!!


Se Joanne k Rowling não tivesse vivido na majestosa cidade do Porto o Harry Potter nunca teria existido. Não tenho dúvidas que a percepção que a autora desenvolveu do carácter dos portugueses esteve na base de toda a sua inspiração na criação das suas personagens. Eu, de certa forma invejo o nosso amigo Harry Potter…não é por ser mágico e com a sua varinha transformar o que lhe dá na gana, é por ter em sua posse um objecto que me daria um jeitaço do caraças. Eu pagava o que fosse preciso para ter o manto da invisibilidade. A criação deste objeto foi inspirada da necessidade que algumas pessoas têm de se proteger da curiosidade dos tugas. A vontade que tenho em possuir esse cobertor divino não seria para cuscar porque nunca fui intrometido, seria sim para me esconder das pessoas que já não vemos desde o período jurássico que nos abordam como se fossemos os melhores amigos do mundo. Não quero ser prepotente mas considero que, tirando as relações de proximidade, todas as outras são afeições temporárias que aconteceram em determinadas circunstancias movidas pelo meio envolvente. Quando os pontos de comunidade que ligam determinadas criaturas terminam cada uma vai para seu lado e ninguém quer saber mais uns dos outros porque o tempo de afastamento vai apagando gradualmente as vinculações emocionais. É por isso que quando vemos uma pessoa que outrora partilhou connosco momentos de socialização a caminhar na nossa direcção, encurtando a distância com ligeireza, pensamos em mudar de passeio ou vacilamos num olhar para um autocarro a seguir o seu caminho. Mas como nunca queremos ser indelicados resta prepararmo-nos para três possibilidades; a pessoa passa e faz de conta que não nos conhece o que percebo perfeitamente na medida em que não temos nada para conversar, ou deseja falar mas arma-se em difícil e pronuncia aquela frase já utilizada no tempo dos persas, “Conheço-te de algum lado!!!”, ou então prisioneira da curiosidade assalta-nos com a famosa frase,-”Olá tás bom?”Chego a pensar que até preferia que não me tivessem incutido valores porque isto de ser educado é como estar algemado à hipocrisia das normas sociais… Uma pessoa quer ser genuína e sincera mas não pode sob pena de nos colocarem todo o tipo de rótulos. O que desejamos dizer é; Ok! Pronto! Para que raio queres saber se eu estou bom? Por acaso significo alguma coisa para ti? Eu sei como as coisas se processam…tudo que eu disser vai ser repetido a outras pessoas, mas não literalmente porque acrescenta-se sempre um cunho pessoal da pessoa que transmite a mensagem transformando-se num fenómeno em cadeia, sendo que, qualquer dia estou morto na boca de alguém sem saber que estou morto. E depois traz consigo a avalanche de perguntas que toda a gente sabe na ponta da língua: -Que fazes por aqui?…para que é que lhe interessa saber isso? -Então, está tudo em ordem?...para mim é a pergunta mais estúpida, que raio de pergunta! Em ordem ou na ordem? É o mesmo que perguntar; -Está tudo organizado?; -Tá tudo…e depois vem outra… - Que contas?...o que é que eu tenho para contar a uma pessoa que não me diz nada…e a resposta é sempre; -Nada de especial… - Que tens feito? Fodasse…isto não acaba…-Ando por aí…

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