sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Maldita página do jornal Ojogo




"Saudade é amar um passado que ainda não passou. É recusar o presente que nos magoa. É não ver o futuro que nos convida..." Pablo Neruda descreve esse sentimento como ninguém… É precisamente isso que eu leio nas expressões dos velhotes quando estão a devorar a última página do jornal “Ojogo”. “Ai se me aparecesses em novo…” é uma frase muitas vezes proferida por eles, é uma nostalgia profunda que invade de tristeza quem os observa. Mas não deixa de ser engraçado assistir num qualquer café às disputas constantes entre os velhos para tomar de assalto uma página de um jornal que vive em sobressalto num espaçozito do balcão…o tempo é religiosamente cronometrado, a fila para o melhor lugar ultrapassa, seguramente, uns 20 longos metros. Mas as dúvidas sobrepõem-se às certezas… Para que é que eles insistem em vasculhar tal página? O único efeito biológico que se assiste é ao aumento da produção da saliva, o resto está em greve por tempo indeterminado…ou mesmo terminado. O problema é que exaustos da saudade passam para o extremo e para contrariar a frustração da sua impossibilidade, dominados pelo impulso, atiram-se ao comprimido azul com toda a loucura e quem paga é a mulher que tem que ter o trabalho de retirar todas os jarros e vasos de cima dos móveis lá de casa. O sentimento de saudade é agora substituído pela ansiedade porque não há forma de a gravidade fazer o seu papel. Nessas condições não é possível ter uma vida normal, não podem sair de casa porque a porta do elevador não fecha, tem que dormir para o lado da janela com ela aberta, tem que ir buscar o escadote para fazer xixi, mas também tem a vantagem de não precisar do comando da televisão… Mas qualquer das maneiras deviam de ter mais cuidado senão o coração vai à vida...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Poupar no telefone




Falar ao telefone tem muito que se lhe diga. Sem repararmos oferecemos muito dinheiro às operadoras porque despendemos muito tempo com conversas que não interessam para nada e neste caso tempo é dinheiro…perdido. A gestão das palavras é muito mal feita pela maioria das pessoas porque envereda pelos caminhos de hábitos linguísticos desnecessários. Acontece muitas vezes ligarmos para o Aurélio e a primeira coisa que perguntamos é; “És tu Aurélio?” Para quê esta pergunta… a probabilidade de ser o Aurélio e não ser o Feliciano é muito grande. E depois vem a segunda; “Está tudo bem?”. Quem faz esta pergunta já sabe que resposta vai ter; “Está tudo e contigo?”. Todos nós sabemos que esta resposta coabita com aquela pergunta, e se sabemos porque é que a fazemos? Quem faz a pergunta não quer saber para nada se a pessoa está bem ou está mal, e a pessoa que responde mesmo que esteja a morrer dá sempre essa resposta, é um mecanismo impulsivo. Das que mais gosto de ouvir é; “Podes falar?”. Há muita gente que não sabe disso mas eu vou tentar elucidá-las…quando uma pessoa atente o telefone é porque pode falar, se não pudesse não atendia…daaa! Outra pergunta estúpida que se faz muitas vezes é; “ Então que estás a fazer?” Então se a pessoa está outro lado da "linha” é óbvio que está ao telefone a falar com a burra da pessoa que fez a pergunta. Depois a introdução ao tema que queremos abordar quase sempre começa com; “Olha estou-te a ligar porque…”. A outra pessoa já sabe que lhe está a ligar não é preciso lembrar, para quê perder tempo com isso. E aquela mania que as pessoas têm de utilizar a expressão ”bla, bla, bla, estás a ver?” Para quê utiliza-la ao telefone? Se a outra pessoa está num sítio diferente é evidente que não pode ter a mesma visão e isto tudo só acaba quando alguém a disser: “Se precisares de alguma coisa telefona!”. É uma frase que me dizem muitas vezes o que me deixa descansado, visto que a maioria das pessoas que me telefonam estão relativamente longe de mim e se estão perto e me telefonam é porque são parvas. Vivemos numa época agitada e tudo vale para poupar algum dinheiro e nada melhor do que aprender a economizar melhor o tempo e as palavras a falar ao telefone.

Ir ao cinema

Com o Verão na recta final e os dias de praia a escassearem aos fins-de-semana, retomar as idas ao cinema é um acontecimento perfeitamente comum para qualquer um de nós. A maioria vai ao cinema por puro deleite ou para se alhear da realidade, para se distrair ou porque quer viver momentos agradáveis e absorver as histórias que os filmes nos trazem. O problema é que as vivencias na sala de cinema podem ser contrárias a esse nosso desejo. Mal entramos na arena ficamos logo com cadáveres de pipocas colados na sola do sapato da sessão anterior, e depois não menos irritante é a pontualidade… é para nós difícil satisfazer as nossas nádegas na procura da melhor posição no contacto com a cadeira e quando encontramos o ponto certo aparece sempre alguém a querer passar, mesmo depois do filme ter iniciado, sem sequer esboçarem um sorriso ou expressarem algum tipo de desconforto. Um “obrigado” apazigua e fica sempre bem. Depois há os telemóveis. Dizem que estes devem estar desligados mas, na prática, muitos não o fazem. Se tem a funcionalidade de “silêncio” porque é que não a usam? E depois passam o filme a receber e enviar mensagens e a distrair quem está por perto. Outra coisa que incomoda são os barulhos dos casais que aproveitam a escuridão do cinema para mastigar a língua um do outro e se temos o azar de ficarem atrás de nós passamos o filme todo a sentir a nossa cadeira a ser empurrada para a frente…não há mais sítios para o fazer com mais privacidade? Mas o que mais me incomoda são os pipoqueiros… mais uma rasquice americana que invadiu os cinemas em Portugal. É repugnante o ruído do ruminar das pipocas, e depois o mais intrigante é ouvir os fanáticos das pipocas a vasculhar um balde com 500 mil pipocas durante 5 minutos para tirar uma, parece que estão à procura de alguma em especial e o pior de tudo é ouvir esses criminosos a cuspir os bocados não deglutinados para a fila da frente. E o cheiro da pipocada? Bem, vou deixar de ir ao cinema. Devia de haver uma lei anti-pipocas nas salas de cinema.

Que vidinha



A vida insiste em esconder as respostas de muitas incógnitas, não custava nada sabermos mais do que nos é permitido saber. O nosso quotidiano permite-nos desfrutar de algumas inquietudes saborosas mas o que eu verdadeiramente gostava de saber não é se há vida para além do adormecimento eterno, nem se partilhamos o universo com outras entidades, nem mesmo saber se existe alguma personagem que nos comanda como um jogo de playstation…eu só queria perceber porque é que as senhoras quando pedem alguma coisa num qualquer estabelecimento comercial acrescentam sempre uma palavra com terminação em “inho” ao pedido que desejam. Elas nem se apercebem, querem ser simpáticas mas no fundo são é chatas, é uma necessidade que lhes sai das entranhas que evidencia uma mesquinhes irritante; “ Queria um café quentinho”; O empregado por mais que se esforçasse nunca conseguiria tirar o café frio porque sai obrigatoriamente quente da máquina. “ Queria 12 pães tostadinhos”; será que se disserem simplesmente tostados sem o “inho”o funcionário levará a mal? “200g de fiambre fininho.”; Porque é que não dizem fino? É para não confundir com o copo da cerveja? “1 k de bife da pá tenrinho.” Elas não percebem que o facto de reforçarem o pedido com palavras fofinhas é insignificante para quem as serve, aliás até acho que poderá ter o efeito contrário porque os funcionários não estão para as aturar. “Quero o meu bife bem passadinho”; que carinhosas que são…

Touradas

Estamos em 2012 e ainda há pessoas que se divertem com o sofrimento dos animais. Essas pessoas tem o cérebro pequeno, ainda vivem na idade média… Não me digam para respeitar os gostos de cada um porque recuso-me a respeitar aqueles que se divertem a violentar animais inocentes. Acordem, estamos no séc. XXI. Andam sempre com o argumento estúpido (não tem outro) da tradição mas lembro que a crucificação, a tortura e a pena de morte também já foram tradição e foram abolidas porque há uma coisa que esses ignorantes não conhecem…chama-se evolução…EVOLUÇÃO. Eu gostava era de enfiar uma bandarilha nas costas dos que apreciam esta merda e sentar os touros na bancada a rir-se e a bater as patas… 

Falar com adolescentes

Ter uma conversa com adolescentes poderá tornar-se numa experiência digna dum “conto de favas”. Eu admito que é “altamente” ter umas expressões que cativem a malta numa de conseguir obter a posição de líder do bando mas não consigo disfarçar a inflamação que isso me provoca. Com algum esforço lá vou apelando à minha condescendência, mesmo sentindo aquela mania que eles têm em tratar os da mesma idade por “chavalo” para se sentirem em cima de um palanque, e como se isso não bastasse, seguidamente, somos agredidos com pseudo-palavras instantâneas que vivem na ponta da língua dos gajos que dão para todo o tipo de conteúdo linguístico. O ideal era utilizarem essa linguagem entre eles mas não distinguem ninguém. Inquietante é tentar perceber a origem desse palavreado…Quem foi o filha da mãe que o inventou??? - Então estás bom? “Tá-se bem”… Não estás com boa cara? “Ya meu, tou um coto chunga...” Porquê, aconteceu alguma coisa? “O meu cota desatinou comigo!” Pois, acontece quando não nos portamos bem. “Caga nisso, é totil chunga mas que se lixe.” Deve ter as suas razões, não deve? “Ontem foi curtir, desbundei tótil mas caguei nas horas…” Divertiste-te ao menos? “Não curti à brava…fui a uma rave, convidei uma gaja e ela curtiu tótil a ideia. Quando ela entrou andou à toa durante um coche, estava um som altamente, só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater das 2 da manhã, tás a ver, meu? Durante a party um mano cheio da papel topo-a e começou a gala-la, aí quase que me passava dos carretos, desbundaram "ól naite long", mas depois tive que axandrar. Quando a gaja bazou o mitra ficou completamente atarantado e foi atrás dela. Ainda esperei que ela voltasse mas nunca mais lhe pus os olhos em cima e dei de frosques. As gajas às vezes são fatelas… é a vida…my friend, vou bazar, vou ao morfes." ............ Hã????? É preciso um dicionário…

Um dia de praia


Portugal não ganhou muitas medalhas em Londres mas não faltam atributos para nos regozijarmos… Não há medalhas que valham a nossa comida, o nosso sol e fundamentalmente as nossas praias. De facto, ir à praia até se pode transformar numa experiência hilariante…começamos sempre por nos envolver numa porrada desenfreada com a nossa toalha porque a estúpida nunca se quer deitar, quando conseguida a vitória só queremos estar na paz, observar a linha onde o céu se junta ao mar, fechar os olhos para escutar a orquestra que sai das ondas, deixarmo-nos ir à boleia do nosso pensamento…mas há sempre merdas que estorvam a nossa introspeção. Os gajos das bolas de Berlim são como as moscas, os avecs do lado esquerdo a falar como se sabe, do lado direito lisboetas com o seu sotaque abichanado mas pior está reservado para a minha frente… aquilo que estava à minha frente é a praga das praias…é a mania que as namoradas têm em tirar pontos negros das costas dos namorados como os macacos a catar piolhos. O que é que elas têm contra os pontos negros? É por serem negros? Isso soa um pouco a racismo. Já experimentaram colocar-se no lugar de um ponto negro? Alguém gosta de fazer uma ressonância magnética? Então imaginem viver nessa máquina a vida inteira, há que ter respeito pelos enclausurados. Mas elas são viciadas nessa atividade, quanto mais tiram pior, por vezes até arrancam sinais de pele e quando aparece daqueles pontos negros difíceis que se agarram ao poro então é que elas se espumam, espetam aquelas unhacas na pele do namorado que até carne sai. O tipo de pontos negros que mais prazer lhes dá são os tomahawks, o disparo chega a atingir os 3 metros de distância, o que é um nojo porque quem esta atrás, como eu estava, é obrigado a vestir uma armadura anti pontos negros…o pior disto tudo é ver pontos negros misturado na areia e se esta mania continuar a crescer qualquer dia teremos na praia mais pontos negros que a própria areia. Da mesma forma que já existe para as baronas eu sugeria, para bem de todos, que se começasse a colocar na praia recipientes para os pontos negros.

Subida à Sra. da Graça


Eu gosto muito de ciclismo e a subida à Sra. da Graça é sempre uma etapa imperdível. Hoje foi mais uma… O que eu mais valorizo são as pessoas que se levantam às 4 da matina para preparar o farnel e sair a correr para encontrar o melhor poiso para abancar lá no monte. Preparam as fêveras, o churrasco, pipas de vinho, grades de cerveja, levam com o calor, com o pó, anseiam 10 horas, lutam contra o sono roubado à última noite… tudo em prol do objetivo de ver as “biclas” passar. E depois elas passam, são 30 segundos de loucura. E agora? Já foram… Toca a desmontar tudo arrumar a tenda, o lixo, as garrafas e esperar permissão da polícia para descer o monte, e o pior é que nem sabem quem venceu a etapa… Eu a ver pela televisão não tenho trabalho nenhum, durmo a noite toda, não tenho calor e ainda por cima vejo quem vence a corrida. Mas agora dizem-me; “Haaa, mas não tens a oportunidade de correr atrás dos ciclistas nem de lhe atirar agua.” Pois…

Parado no semáforo

A paciência é uma virtude muitas vezes conseguida por fatores alheios ao nosso domínio e se há um local onde falta muitas vezes esse atributo é no sinal vermelho do semáforo… Mas agora já não é assim…existe entretenimento para ajudar os condutores a superarem aquilo que parecem horas intermináveis de espera pelo sinal verde…o que era de nós sem os ciganos romenos com o seu malabarismo? Admiro o seu esforço para não deixar cair nenhuma das 3 bolas, admiro a vontade deles em nos impressionar, considero a sua arte…mas o que mais prezo é abrir o vidro, vê-los a caminhar na minha direcção, apreciar a sua esperança e quando chegam perto do vidro dizer-lhes; “Está calor, o que é que queres!!”

Caixa Multibanco

Hoje sinto-me um atleta português nos jogos olímpicos…perdi uma corrida para um reformado na chegada a uma caixa multibanco. Eu quando o vi ao longe ainda comecei a esgaçar mas o velho reparou e com a ajuda da bengala não me deu hipótese. Pior que perder a corrida é adivinhar o que aí vinha, já sabia que o tempo interminável ia tomar conta de mim porque reformado e modernidade são antíteses. Nestas situações uma técnica muitas vezes bem sucedida para colocar pressão sobre a pessoa é faze-la sentir o nosso bafo no seu cachaço mas este gajo era imperturbável. As mãos eram as suas grandes inimigas, como tremiam, para tirar o cartão da carteira foi um bico-de-obra, depois envolveu-se numa guerra com o código do cartão porque os reformados nunca acertam à primeira, nem mesmo à segunda e quando começas a acreditar que vão falhar a terceira para chegar a tua vez…eles acertam!! Depois precisam de algum tempo para se lembrar do que é que vinham fazer, e quando lhes dá a luz carregam nas opções todas até que o processo se auto-anula. Voltam a embarcar na aventura até que lá se lembram de fazer o pagamento da luz, sendo que demoram cerca de 20 segundos para cada número que marcam e quando chegam ao fim removem o cartão, e quando começamos a preparar o primeiro passo eles voltam a introduzir o cartão para pagar a tv cabo. Movido pela esperança mas ao mesmo tempo assolado pela exaustão de 30 minutos de espera prevejo a minha hora a chegar mas nesse momento observo o velho a retirar outro cartão da carteira…fodasse, desisto, vou-me embora, não aguento mais. Pus-me a caminho e após 20 longos passos ouço um rejúbilo oriundo da fila e ,inevitavelmente, ouso olhar para trás… e não é que vejo o reformado a abandonar o multibanco…ainda tentei voltar mas a caixa já tinha sido assaltada pela fila de 20 pessoas.

Bolas de silicone

Qual FCP-Benfica... Qual PS-PSD... A maior rivalidade que existe neste país vive nas praias entre Vale do lobo e Quinta do lago… É uma luta renhida entre as bolas de Berlim e as bolas de silicone… não há duvidas que as primeiras estão a perder espaço e protagonismo porque o seu creme é de menor duração. Para além disso as bolas de Berlim são transportadas num cesto de superfície lisa enquanto as bolas de silicone viajam de um lado para o outro num corpo enrugado. Essas mulheres parecem que saíram da centrifugação da máquina de lavar roupa e colaram 2 mamas, e depois tem um comportamento anti natura inaceitável…quando temos algo novo gostamos de o evidenciar, toda a gente é assim, mas este caso é diferente, elas tapam o que é novo e continuam a mostrar o que ninguém quer ver, parecem uma casa a cair só com a varanda arranjada. Pela tradição e estética estou do lado das bolas de Berlim…

Como chatear ciganos

O mês de Agosto é aproveitado pela maioria das pessoas para sair do seu meio e experimentar novos ares. Algarve, sul de Espanha, as nossas aldeias são locais habituais de relaxamento em época de férias. Eu tenho uma ideia diferente para o Agosto. É comum dizer-se que as ferias servem para dar asas aos nossos prazeres e é isso que eu faço!! E que eu gosto de fazer nas minhas férias é chatear os ciganos romenos! Eles são uma praga e a melhor forma de eles perceberem isso é inverter os papéis, e hoje comecei a investida…encontra-los não é difícil e por isso dirigi-me a eles e cuspi uma palavra que eles tão bem conhecem; “Dinero…dinero…dinero”!! eles começaram a afastar-se mas não os larguei… “dinero, dinero, dinero”! após 800metros, influenciados pelo cansado da minha perseguição pararam e revoltados proferiram um palavreado indetectável e lá me deram 2€; Só!!! Que merda é esta!! Não pode ser !!! 2€ não dá para nada!! A estupefação na cara deles era digna de ser registada. Tentaram-me repelir mas eu fui buscar outra palavra ao reportório; “Fomi, fomi, fomi…” mais 800metros e os gajos, coitados, vencidos pela exaustão de me ouvir lá me levaram a um boteco para me pagar uma sopa. A colher viajou somente 2 vezes para a minha boca, deixei o resto…a expressão de ódio na cara dos romenos fez nascer em mim algum receio… bem…por agora chega.

Ser avec



Ninguém dá valor aos “avecs”… Em Portugal existe o hábito generalizado de criticar os emigrantes, mas não querendo ser advogado deles devo dizer que ser “avec” não é fácil. Nunca ninguém se deu ao trabalho de estudar o código deontológico deles. Primeiro, alugar um carro com aileron não é fácil porque nem sempre se encontra…depois quando vêm para “vacances” não conseguem resistir uma espécie de jet-leg gramatical; Jean Pierre, vien ici! .... Jean Pierre ! Vien ici tout de suit Jean Pierre!!! - João Pedro sai já da água, antes que eu vá aí e te rebente os focinhos! Ó meu filho da puta, não ouves eu a chamar por ti ????? “ Para ser “avec” deve-se respeitar um conjunto de normas; usar o inevitável bigode à Saddam é importante para o pai “avec”, o filho “avec” deve ter brincos e cabelo espetado, outra norma é vestir-se com o equipamento da Selecção, ou então, pelo menos a camisola do Ronaldo. Camisolas de alças são bem aceites para podermos confirmar o seu belo bronzeado à trolha, enfeitado ao pescoço por um fio de ouro e uma medalha da cara de Cristo. Ter sempre no carro cassetes dos últimos sucessos do Tony Carreira ou dum qualquer cantor pimba francês. Usar sapatilhas Le Coq Sportif sem meias ou então ostentar uns chinelos ou sandálias em napa a imitar o couro, para mostrar as horrorosas unhacas do pé muito espessas e amareladas e os cascos no calcanhar a necessitarem duma boa esfrega com pedra-pomes. A respetiva esposa é adepta do uso de calções que lhe ficam a matar, realçando as pernas cheias de nódoas, derrames e varizes. As suas casas devem ter sempre mais de 250m² com 3 quartos para casa filho. Importante mas não obrigatório é um chafariz à entrada da casa e a imagem de nossa senhora em azulejo cravado na parede. Não nego que são pessoas com hábitos diferentes mas contudo devemos-lhes o nosso respeito pela sua história de vida. Sejam bem vindos!!

As portas do wc

Voltaire um dia disse; "A vida é uma criança que é preciso embalar até que adormeça." O nosso problema é mesmo esse, as responsabilidades e as pressões da vida facilmente fomentam o esquecimento da essência do que é ser criança. Eu tenho saudades de ser criança e só me lembro disso quando leio as escrituras nas portas dos wc. Sem que nos apercebamos, essas portas em algum momento da nossa vida foram o nosso melhor amigo, o nosso confidente, permitia-nos desabafar e de certa forma encorajava-nos na obtenção das nossas pretensões, e isso começou muito cedo…tenho saudades de ver na porta do wc da escola “Quim Love Vanessa”, “ Katia Love Ruben”, até permitia aqueles que sofriam de bulling desabafar “lá fora armas-te em heróis e aqui cagas-te todo” mas era tudo muito puro, inocente…depois crescemos e com isso apareceu também o brejeiro, o escárnio e isso começa-se a ver na faculdade com frases mais elaboradas e reveladoras de traços de identidade de cada autor, por exemplo, os físicos “obrar é lei do mundo, cagar lei do universo, e foi assim, cagando, que eu fiz este verso” e na queima das fitas o pessoal escrevia “a cagar fiz um charro, a cagar o acendi, a cagar o fumei todo, a fumar caguei para ti!”, ainda assim havia os deprimidos com saudades da família”, neste lugar solitário, onde a vontade se apaga, todo o cobarde faz força, todo o valente se caga”, também havia os revolucionários, “o peido é o grito de liberdade da merda oprimida” e os que gostavam de comer, “aqui termina a obra de um grande cozinheiro”, os gajos da arte, “merda não é tinta, nem dedo pincel, para limpar o cú é favor usar papel”, os terroristas ”um peido quando é bem dado, com fortaleza e alento, se um tipo estiver sentado até rebenta o assento”, os introvertidos, “comer mulher feia e cagar ninguém gosta de comentar”… Não há duvidas que as melhores frases eram as da nossa infância, continham muito mais riqueza e sinceridade, tenho pena que as pessoas tenham substituído essa pureza por malcriadices…

A culpa é da sanita



O mundo mudou!! Não sei se para bem se para mal… Na verdade a tradição já não é o que era. As exigências individuais multiplicaram-se, as intransigências dominam-nos, as intolerâncias abafam-nos… Mudaram-se as políticas, o sistema económico, a interação global alterou-se, desobstrui-se o fluxo de informação…mas quem mais mudou foi, efetivamente, a mulher… A emancipação da mulher foi uma dádiva para o mundo mas tornou-as num ser para lá do exigente. Ontem saiu um estudo no JN que revela que 12% dos homens sofrem de violência doméstica. Já vai em 12%!!!! Os divórcios estão a aumentar todos os dias…as mulheres já não tem paciência para nós. Mas eu sei qual é a causa da maioria dos divórcios, é a porcaria da sanita. Elas cismam que temos que baixar a tampa mas nunca nos lembramos…não é fácil para nós, dêem-nos tempo. Mais importante que isso é descarregar a água, e isso já fazemos, não se podem queixar. Que culpa temos nós de sermos homens e mijarmos de pé? Eu sei que salpica tudo mas não nos peçam para urinar sentados porque isso é um atentado a nossa masculinidade. E quando acaba o papel saímos do WC com a intenção de o substituir mas acontece sempre qualquer coisa que nos distrai. E acreditem, nós lavamos as mãos!! Não há dúvida que se não houvesse sanitas em casa quase não havia divórcios…não fomos nós que mudamos, eu não me lembro de ver a minha avó chatear o meu avô por não ter baixado a tampa da sanita.

Domingo de manhã

Estas manhãs oferecem-nos uma panóplia de ideias para as ocupar… parque da cidade, passear à beira-mar são exemplos de aproveitamento! O que eu não consigo entender é como essa diversão pode ser substituída pela missa. Com este tempo fantástico as pessoas decidem enfiar-se no casulo a ver um padre, que parece ter saído do carnaval de Veneza, com um discurso em que todas as palavras terminam em zzzzz, que nunca se sabe se havemos de estar sentados ou de pé, e ainda nos obrigam a cumprimentar pessoas que não conhecemos e como prémio pela paciência ainda nos dão um pedaço de farinha para se colar ao céu da boca!! “Bora” curtir lá para fora!!!!

Deus

Existe uma palavra que, por mais que não queiras, vive connosco. Ela persegue-nos! Está presente em todas as expressões e, por mais que fujas, há sempre alguém que a repete. Não há forma de a contornar porque ela existe nas entranhas do nosso vocabulário. Estou mesmo convencido que as pessoas nem se apercebem, é mecânico… aquilo sai, não há nada a fazer. Eu estava convicto que invocar o nome de Deus em vão era pecado… É mesmo essa a palavra a que me refiro… DEUS. Essa palavra dá para tudo… começa com “– Então, está tudo bem? Está tudo bem graças a Deus”… se tu dizes; “Até logo!” ouves automaticamente, “Até logo, vai com Deus”… Se dizes; Até amanhã! retaliam com “ Até amanhã se Deus quiser”, Se contas uma cena do quotidiano; “ Deus me livre!”, se dizes uma caralhada; “Que Deus te perdoe!”, para uso geral usa-se o “Por amor de Deus!!!”, se pretendes algo levas com; “Que Deus te ouça!!”, se contrarias os outros ouves ;”Que Deus te livre!! - Vai-me sair o Euromilhões! “Deus queira!! , acontece um desastre…; “Meus Deuuussss…”, eu até evito espirrar para não ouvir; “Deus te salve!”… Só falta dizer quando dás um peido; Deus o abafe!!”… Ser ateu nesta sociedade não é fácil…

Viajar nos STCP

Não sei se alguém já leu o “Perfume” de Patrick Suskind… é uma boa sugestão, não existe livro nenhum que descreva de forma tão pormenorizada a imponência de um odor, a riqueza descritiva do autor permite-nos viajar dentro do próprio cheiro fazendo-o sair do livro para se alojar no nosso nariz. Quem não gostar de ler e pretender vivenciar empiricamente esta experiencia só tem que viajar nos autocarros dos STCP às 18 horas… A mistura de cheiros faz-nos pairar como uma pena, é como uma orquestra em que cada odor é um instrumento, o problema é que eu é que pareço o maestro a abanar os braços porque não se aguenta… E ainda por cima a casa normalmente vai cheia e a tendência das pessoas é segurar-se no barão de cima e quando dá por ti tens o teu nariz enfiado num sovaco todo molhado com 2 ou 3 pelos a espreitar pela manga da camisa a dar-te tanga… Tu ainda pensas em sair mas quando olhas em direcção à porta observas 7 ou 8 sovacos insaciáveis a olhar para ti…pensas logo em ficar onde estás e habituar-te ao cheiro daquele… depois nem sentes. O pior é quando decorre uma travagem abrupta e o teu nariz viaja em direcção ao sovaco, aí não se tem hipótese, ficas logo enclausurado nos pelos do sovaco…para sair é um problema porque os gajos têm força descomunal e amarram-te ali até se cansarem… Nunca se deve subestimar os pelos do sovaco, é uma lição que daqui se tira. Tal com o subsídio da alimentação o governo devia de implementar um subsídio para desodorizantes…

Viajar na Ryanair






Viajar de avião é um episódio inquietante, sobretudo na Ryanair…ontem desesperei!! Quando chegamos a zona de embarque percebemos de imediato quem são os portugueses, não pela língua mas porque estão todos organizados em posição de partida prontos a arrancar mal apareça o nº da porta de embarque. Mal dispara o nº da porta é um ver se te avias. Será que eles acham que não há lugar para todos? Mal entramos no avião somos bombardeados com as figurinhas das hospedeiras e a aula de segurança…será que alguém acredita que em caso de aflição nos vamos lembrar do que elas disseram? E depois vem o comandante; “Daqui fala o comandante Magalhães do Cockpit”… mas ia falar de onde? Do WC? E depois o mais chato é a luta pelos apoios de braços nos lugares. São 3 lugares por fila, 4 apoios de braços mas são 6 braços… Quem é que determina a pertença dos apoios? Quando dás por ti estás a empurrar o braço do vizinho para colocar o teu, e depois ele faz o mesmo, e para quem foi no meio como eu, tive que fazer a viagem toda envolvido numa luta de cotovelos que só venci na aterragem quando eles se lembraram de bater palmas… Já agora porque é que batem palmas? Aterrar é algum favor que o comandante Magalhães nos faz? Mas consegui perceber a pressa dos portugueses em entrar no avião…é para conseguir garantir os apoios de braços…

A mulher desorientada

Impressionante a quantidade de neurónios que o nosso cérebro contém, na ordem dos 10.000.000.000 a 100.000.000.000. Mais impressionante é saber que nenhum destes neurónios dá à mulher sentido de orientação. Elas são como um barco sem bússola… Porque é que as mulheres vão aos pares ao WC? Cada uma decora metade do caminho e está resolvido. Nos hipermercados estão na zona do arroz mas se saírem 2 corredores para o lado já não sabem voltar e para alem disso tem a mania de deixar o carrinho num sítio qualquer, depois julgam que o roubaram…mas não o sitio é que fugiu! E no parque de estacionamento? Parece uma discoteca, só se vê piscas a acionarem-se mas não vês ninguém, são elas algures com o comando no ar a procura do carro. Alguém já experimentou dar um mapa para as mãos de uma mulher? Elas confundem a A4 com o rio Douro… Por isso é que se inventou o GPS (Guia para Senhoras) para lhes dar alguma segurança e conforto mesmo assim se falarmos com a gaja do GPS elas tem ciúmes!! Outra coisa que irrita é a necessidade que tem em pedir indicações…ainda não se perderam mas já estão a chamar alguém. Alguém já se questionou porque motivo as mulheres não participaram na epopeia dos descobrimentos? Iam perguntar a quem?

Big Brother de um trolha

Big Brother de um trolha: 07:30 uma salada de tomate e 1 copinho de vinho, 08:00 enquanto esperam no café pela camioneta de transporte mandam um café e ½ bagaço, 09:30 piropo a uma gaja, 11:00 favaios com cerveja em copo de fino, 11:30 piropo a uma velha, 12:28 um martini com cerveja para abrir o apetite, 12:30 durante o almoço uma caneca de vinho e no fim 1 bagaço fresco para apoiar o café, 14:00 piropo a uma feia, 15:00 uma cervejinha fresquinha, 15:30 mais um piropo, 16:00 mais uma cervejinha, 17:00 abrem o 3 maço de tabaco do dia, 17:15 piropo e 17:30 uma cervejinha para dar balanço para ir embora. Como é que os prédios não caiem?

No elevador

Todos nós gostamos de ter o nosso espaço. E, se há um local onde apreciamos estar sozinhos… é no elevador. Ninguém gosta de companhia no elevador, especialmente de manhã. Nós já acordamos mal humorados porque temos que ir trabalhar, mas pior do que isso é ficarmos impossibilitados de manifestar esse mau humor. Estamos sossegados a iniciar a viagem quando, de repente, sentimos o elevador a travar...“Bom dia, como está?” A frase seguinte parece ser combinada na reunião de condomínio… “Hoje está um belo dia!!” Será que ele acha que não tenho janelas em casa? E depois fazemos a viagem a olhar para baixo e o vizinho a olhar para cima, pegamos no telefone para disfarçar e ele pega num papel… quando nisto o elevador volta a travar para entrar um terceiro elemento… “Bom dia! Hoje está um belo dia!” fodasse… Com 3 pessoas encurta-se o espaço e, se calhas de cruzar o olhar no espelho com um dos 2 entras em pânico porque vais pensar que o vizinho vai achar que és gay. O pior está reservado para o fim. Mal termina a viagem a porcaria da hesitação apodera-se dos 3 e ninguém sabe quem deve sair primeiro e depois vê-se 3 palermas a ceder a passagem uns aos outros, quase a discutir até que de repente todos tomam iniciativa de sair e… Booom! Choque total… Vou começar a descer pelas escadas!

Perguntas estúpidas…


Ser educado é como viver algemado à hipocrisia…nunca serás livre enquanto viveres sob as amarras da educação. Porque é que não podemos ser genuínos? Todos nós somos bombardeados por situações estúpidas diariamente e nunca respondemos como queremos mas sim como nos ensinaram como deve ser… e isso só promove ainda mais comportamentos estúpidos. Isto começa logo de manhã, saímos da cama e quando chegamos à sala ouvimos isto; - Já acordaste? Não, sou sonâmbulo!...esta era a resposta certa mas preferimos dizer; - Sim, já acordei. Encontramos o vizinho no elevador e este; - Vai sair com esta chuva? Não, eu gosto de andar para cima e para baixo no elevador! Mas não, dizemos; - Pois, tem que ser...trabalho e tal. Estou na paragem do autocarro e vem um conhecido; - Vais apanhar o autocarro? Porquê é que não tenho coragem de lhe responder; Não, eu moro aqui! Chegamos ao trabalho e um colega; Já chegas-te? O que é que eu posso dizer a isto? Não, venho lá trás...temos a mania de ser cordiais e acenamos com a cabeça… farto disto tudo fui fumar um cigarro, chega um cromo e pergunta-me; - Tu fumas? Eu desta vez não resisti e respondi com queria; Não, estou a bronzear os pulmões!! Ó Marco não se pode falar contigo, tens mesmo mau feitio…

O cemitério tuga…

Todos nós sabemos que um dos arquétipos mais visíveis nos portugueses é viver da aparência. Um dos locais onde mais se evidencia esse atributo é… no cemitério! Se repararmos com atenção, percebemos facilmente que existe uma competição exacerbada pela melhor campa. Começo a acreditar que as pessoas não choram pelo desaparecimento da pessoa mas por não terem dinheiro para construir o jazigo mais imponente do cemitério. Mas porque é que querem um jazigo de luxo? Para agradar ao morto… Se acreditam nisso e lhe querem dar conforto porque não colocam um micro-ondas ao lado da campa para ele aquecer a comida? Impressionante é ver as viúvas a rezar 17 Ave-marias e 10 Pai-Nossos e depois vão roubar as flores da campa ao lado. Depois passam a manhã a esfregarem a campa até ficar a brilhar e no fim ainda lhe passam álcool… Mas para quê? Têm medo que o morto se constipe? Mas se querem ter o melhor jazigo porque é que não inovam nos epitáfios; é que são iguais em todas as lápides… “Eterna Saudade. Amor de mãe, irmão e sobrinhos. Com amor, para sempre”, ou “Izilda Matos, Eterna Saudade de Seu Marido, Filhos e Netos”, “Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino”… Com o devido respeito mas é preciso renovar estas frases…. Não falta ideias, por exemplo; “ Enfim fóssil”… ou “Greve por tempo indeterminado!”, ou “Caso encerrado”… “Game over”!

WC dos homens

Existe um pacto masculino que ninguém viola… Não se sabe quem foi o mentor, quanto tempo tem, nem como se propagou a todos os machos…ouso dizer até que poderá ser sagrado. Quando um homem entra num WC semi-vazio nunca mija num urinol ao lado de outro ocupado…no mínimo deixamos um urinol de intervalo, é regra!! Quem não o fizer não pertence à classe dos homens, 2 pilas por m² faz-nos confusão. Existem razões… somos defensivos, temos medo de ficar complexados… depois irrita-nos ouvir urina alheia, temos medo dos salpicos do vizinho, odiamos pressentir o movimento da sacudidela… Porque é que gostamos de estar num urinol isolado? Fundamentalmente para podermos estar à vontade a brincar com as bolas de naftalina… é um prazer apontar para elas, puxa-las para um lado e depois para o outro, suster o esguicho para fazer ondas, fazer desenhos imaginários… Eu posso estar à rasca mas se o urinol não tiver essas bolinhas prefiro ir a outro WC. O problema é que a nossa bexiga é pequena e quanto atingimos a plenitude do entusiasmo o xixi acaba… é como levar uma facada nas costas… cada sessão de urina deveria demorar 2 minutos...30 segundos em média é muito pouco para brincar com as bolinhas. Depois ficamos com uma ansiedade enorme até que venha novamente a vontade… Toca a beber água.

Passeios portugueses

Hoje de manhã senti-me no grande prémio do Mónaco…os passeios portugueses obrigam-nos, permanentemente, a contornar gincanas bem conturbadas para fugir aos poios dos cães que lá habitam. Quando dás por ti estás jogar ao jogo da macaca para não borrar os sapatos e quando julgas que venceste a batalha há sempre mais um cagalhão a olhar para ti a pensar…” Não me escapas”! E teve razão! Não escapei… Tento limpar o sapato na relva como um cão a esconder o osso e quando espreito tinha uma sopa de merda com relva espalhada por toda a sola… Enervei-me e atirei o sapato, mas o pior foi que para o ir buscar tive que passar pelo passeio e…caguei a meia... É uma falta de civismo!

Apaixonei-me!!

Encontrei hoje a mulher da minha vida…estou absurdamente apaixonado. Ia eu no caminho da vida quando sou abordado por alguém meio escondida pela banca do peixe no mercado no Bolhão;” Ó more!!” Foi ela que reparou em mim…eu olhei…nunca tinha visto verruga mais linda…digna de ser a 8 maravilha do mundo. Estava vestida como uma deusa…transportava um avental da Gucci desenhado ao corpo. O seu perfume a truta salmonada era quase irresistível…tive que me conter!

Os psicólogos

Há profissões que não lembram ao diabo. Quem é que se lembrou de inventar os psicólogos… Como é que as pessoas viviam antes da existência deles? Os psicólogos vieram substituir os padres nas confissões…eles tem a mania que dão nomes a tudo, que tem uma visão diferente do mundo mas não há um que bata bem da cabeça. Uma pessoa vai a uma sessão e mal abrimos a porta lá estão eles a observar-nos como um camaleão e depois só sabem abanar a cabeça e terminar as nossas frases. Uma coisa irritante é que associam tudo… se dás um arroto é logo um traço de personalidade, se coças as costas é porque sofres de maus tratos, se coças as virilhas és tarado sexual… E letra deles? São capazes de convencer uma senhora que tem cancro na próstata. Outra coisa intrigante é que tu podes estar a falar de suicídio ou de uma unha encravada que a expressão deles é sempre a mesma…e se fores tratar de uma bipolar sais de lá com uma tripolar porque eles vêm sempre mais qualquer coisa… No meu tempo uma criança era dinâmica hoje é hiperactiva, levava um estalo e respondia hoje é bullying, se era distraída agora sofrem défice de atenção… O mundo está perdido. Devia de haver psicólogos para os psicólogos…No meu tempo uma criança era dinâmica hoje é hiperactiva, levava um estalo e respondia hoje é bullying, se era distraída agora sofrem défice de atenção… O mundo está perdido. Devia de haver psicólogos para os psicólogos…

Os meus vizinhos

Conseguem imaginar o barulho que o Conde de Monte Cristo fazia ao perfurar o túnel para escapar da prisão? É semelhante ao barulho da cama dos meus vizinhos contra a parede...é um bater ritmado que aumenta de velocidade à medida que se aproxima a saída. Esta noite o meu vizinho resolveu vingar-se da selecção e marcou os penaltys todos à mulher…quem pagou fui eu e a parede. Porque é que não desencostam a cama? Ou fazem o serviço lateralmente? Um gajo está a ler um livro sossegadamente e é permanentemente interrompido por barulhos ofegantes e por mais que não queiras começas a imaginar mas depois olhas para o lado e está tudo a dormir. Chega um ponto em que já estamos farto daquilo e só desejamos ouvir o grito de Ipiranga para ver se aquilo acaba…mas ontem quando isso aconteceu foi só o dele; coisa horrível, tenebrosa!!! Mas não acaba aqui, quando julgas que conseguiste a paz desejada tens que levar com o barulho do bidé e meia hora de esguicho… E aí fecho o livro não há pachorra. As pessoas deviam de aprender a viver em comunidade…

Mulher no shopping

A história da humanidade é rica em episódios de tortura que colocaram em causa a dignidade humana… utilizou-se a privação do sono, espancamento, eletrochoque...mas nada que se compare à tortura do séc. XXI. Ir ao shopping com a mulher é a pior delas todas… é o único sítio onde elas sobem as escadas rolantes a correr. A relação que tem com as montras é igual à do cão do Pavlov…elas salivam!! Por mais que se tente dissuadir de entrar existe um íman invisível que as puxa. E depois entramos para quê? Porque precisam dos nossos braços para ajudar a transportar 500kg de roupa até o provador… aliás eu nem sei porque existe cortinado nos provadores das mulheres porque a roupa que levam é suficiente para as tapar. E depois para ficamos 45m a olhar para a cortina a ouvi-la dizer, ”Isto não fica bem...isto não me serve… não gosto desta cor…isto está-me largo…não te importas de ir buscar o nº a seguir?” E o incrível é que sabendo do numero que vestem pedem sempre o anterior e depois vê-se o marido mais 6 empregadas a empurrar a gaja para dentro das calças…até que aparece a pergunta ansiada: Fica-me bem? O desespero responde: Estás esplendorosa… Sim, mas não vou levar, vamos a outra loja!!!

Toca a rir

Dizem que rir é o remédio para todos os males mas, na verdade, muitas vezes temos que ferrar os lábios para que isso não aconteça. Nem sempre é fácil, especialmente quando à nossa frente está alguém que nos diz que vai meter “gásoile” ou que não sabe o caminho porque está “embaralhado” ou porque tem o “castrol” a 260, ou mesmo quando pede uma “selade” num restaurante… Mas, quando nos dizem que vão ao hospital fazer uma “biops” ao estômago não há ferradela no lábio que resista…

FECHA A BOCA!!

Há experiências na vida de tal intensidade que se perpetuam na nossa memória… Quem nunca almoçou com uma pessoa que mastiga de boca aberta que atire a primeira pedra. Será que se envaidecem por mostrar que sabem mastigar? Não dá para ignorar porque a boca está logo abaixo dos olhos e aquele movimento todo suga a nossa atenção e de repente…já não sabes o que se está a conversar porque ficamos a saber onde se situa os alimentos dentro da boca. E o que me chateia é a falta de coragem que temos para dizer; “FECHA A BOCA!”. E a orquestra que acompanha a mastigação?…aquele barulho define uma pessoa.

Relax

Domingo é um dia de maior sucesso para o Jornal de Noticias…toda gente o compra. É engraçado perceber que a forma como os leitores viram as páginas do jornal está estritamente relacionado com o tema que se está a ler. Quando o leitor se sente observado e demora a virar a página está a ler desporto, quando abana a cabeça está a ler a necrologia mas quando vira a página à velocidade da luz imaginem o que estará a ler? Obviamente o Relax.

A cor dos boxers

Andar nos transportes públicos às 8 da manhã é como fazer uma visita guiada para ver regos do cú… Porque é que os jovens de hoje insistem em mostrar o Grand Canyon? Acham sensual? Quando olhamos para eles sabemos a cor da camisola, das calças…e dos boxers. E o pior é que são todos iguais, nós tentamos fugir com o olhar e acabamos sempre por encontrar outro puto com os boxers a mostra… Imagino agora os professores no inicio do ano lectivo; “Ainda não decorei os vossos nomes mas tu de boxers azuis com bolinhas anda ao quadro.”

A passadeira

Neste país o local onde as pessoas se sentem mais poderosas é…nas passadeiras! É uma alegria para elas obrigar os carros parar, por vezes até correm para sentir esse orgasmo mental. Os condutores é que sofrem...é entediante acompanha-las de passeio a passeio e observar aquela postura de quem engoliu um garfo a olhar por cima do ombro e a dizer baixinho;”eu aqui é que mando”! O problema é que a viagem acaba e mal sobem o passeio cospem o garfo e transformam-se em caniches…

Viajar de metro

Às vezes sinto-me um salmão a subir o rio… O que é que custa ás pessoas que vão paradas nas escadas rolantes encostarem-se a direita!!! É preciso uma licenciatura para aprenderem isso? Porque é que não deixam as pessoas saírem primeiro e depois entram? Querem ir à janela? Para quê? A linha amarela é quase toda subterrânea; gostam de ver a escuridão? E no banco do lado não se vê o exterior? Ser organizado em Portugal leva quase à depressão...