quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Estou a ser filmado mas não sorrio


O meu presente nada tem a ver com o meu passado. Sempre que a minha memória me presenteia com momentos da infância acende-se uma chama nostálgica que faz despertar uma espécie de ardor gelado que envolve de uma forma cuidada toda a minha pele. A riqueza do passado foi levada pela avareza do moderno, a pureza da alegria fora substituída pela artificialidade da excitação. O futuro sobrepôs-se ao passado com rudeza e prepotência, quase nem permitiu tempo para adaptações, a sensação que todos temos é que a viagem de vida transita a uma grande velocidade sem que possamos sequer notar o vento que por nós passa. Talvez seja alguma dessa angústia que move em mim uma certa aversão à globalização desmedida que tomou conta do mundo. Abriram-se lojas por todo o lado com hábitos que nunca se antevira, importou-se costumes que apelaram à nossa estranheza produzindo um efeito de desconfiança que muitas vezes se traduzia no abandono do espaço. Uma das merdas mais irritantes que a partir de determinado momento tomou conta da maioria das lojas é a frase; SORRIA, ESTÁ A SER FILMADO!! Não percebo existência dessa frase…mas nós somos alguns anormais para sorrirmos sem motivo? É algum "casting" para os “morangos com açúcar”? Ser filmado já é um atentado à nossa privacidade mas porque é que temos de sorrir para sermos filmados? Se não sorrirmos a câmara não funciona? E que tipo de sorriso pretendem? O largo, quando os lábios deixam ver os dentes, o superior, em que apenas se mostram os dentes de cima ou o inexpressivo sorriso amarelo que empurra os dentes para o anonimato. Realmente uma situação normal é ver as pessoas depois de lerem essa frase concertarem a compostura arranjando a roupa e penteado, ensaiando uma pose deslumbrante para depois procurar as câmaras e pensar… Está bem assim? Se eles querem que a pessoa sorria deviam colocar um espelho que permitisse verificar a limpeza dos dentes porque não parece bem ter parte do McChicken cravado entre os dentes. Muitas vezes temos os nossos momentos de mau humor e desejamos manifestá-lo na tentativa de libertar tensões e se há coisas que nessas alturas nos irritam é mandarem-nos sorrir. Se este método é dirigido para a segurança da loja a sensação que dá é que o ladrão pode gamar o que quiser desde que sorria, se gamar sem sorrir está lixado. Se acatássemos essa sugestão andávamos todos dentro da loja a mostrar a cremalheira numa competição para ver quem vencia o prémio dos dentes mais amarelos, imaginem 500 pessoas dentro da Zara a mostrar o piano, chegava a um ponto que só queríamos sair porque a dor nos maxilares tomava conta de nós. O que eles queriam era fazer da nossa boca portas automáticas, sempre que entrássemos numa loja os lábios afastavam-se, e para alem disso seria muito bonito ver uma pessoa a reclamar uma insatisfação com um sorriso de orelha a orelha. Se acham que esta frase resulta porque é que não a colocam no cemitério? Para além de prevenir os assaltos das viúvas às velas e flores de outras campas, ajudava as pessoas a levantarem a cabeça num momento de profunda tristeza. Morreu um familiar mas SORRIA, ESTÁ A SER FILMADO! Loja que tiver esta oração eu não entro!!!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Odeio o guarda-chuva


O outono está aí e tem três meses para preparar as pessoas para o inverno. Para mim é uma boa notícia porque adoro o inverno, sempre estive inserido na minoria quase clandestina de pessoas que preferem andar molhadas da chuva a transpiradas, que preferem viver despenteadas ao vento a lambidas, preferem ter frio a viver pegajosas, preferem não cheirar a emanar um bafo fétido a suor… Sempre tive muitas dificuldades em perceber o motivo pelo qual a maioria das criaturas veneram o verão, aliás muitas vezes inquieta-me observar algumas bocas a expulsar frases como; “Está um calor que não se pode”, “Preciso de um banho, estou todo suado”, “Vamos para a sombra para fugir do Sol”, Não se consegue dormir com este calor”, “raios partam as moscas”, “ O volante do carro queima”… e o engraçado é que são as mesmas pessoas que dizem que adoram o verão. E depois existem aquelas pessoas que odeiam o inverno, são as que desabafam; “Sabe-me pela vida ouvir a chuva a bater na janela enquanto estou a ver um filme na companhia do cobertor”, “Adoro estar à lareira”, “É tão bom com o frio ir para a cama quentinha”, “ Sabe bem dormir de pijama fofinho”…um verdadeiro paradoxo! O grande problema do inverno nem é o tempo em si mas os guarda-chuvas. Deambular no passeio em tempo de chuva pode transformar-se numa aventura sem precedentes, o perigo da desatenção dos condutores dos “chuços” pode tornar perigoso uma simples caminhada. A universidade do Porto é muito rica em todos os saberes mas peca por não ter um curso que ensinasse as pessoas a utilizarem o guarda-chuva em via pública. Carregar um guarda-chuva devia obrigar a uma licença de condução porque a maioria das pessoas acha que é como ir sozinha, e nem se lembram que por inerência ocupam mais espaço e que o passeio é da pertença de mais pessoas.  Para quem não usa guarda-chuva como eu, ver um “chuço” no nosso caminho é como um forcado ver um touro à frente, a probabilidade de nos magoarmos é relativamente elevada, existe uma tendência para a vareta do guarda-chuva procurar o nosso olho porque o seu portador ou inclina o “chuço” para a dianteira e leva tudo à frente ou se distrai por múltiplas razões e bate-nos com ele. A verdade é que temos que ser nós a forçar o desvio, muitas vezes para o habitat dos carros, porque considero ser preferível partir uma perna do que ficar cego. A falta de sentido coletivo das pessoas que usam “chuço” qualquer dia vai obrigar-nos a usar capacete de viseira em pleno passeio para não nos lixarem a córnea. Eu odeio o guarda-chuva. Nunca entendi porque ombrearam esse nome se ele guarda a cabeça e não a chuva, o nome correto devia ser guarda-cabeça. O guarda-chuva é um objecto badalhoco, nunca sabemos porque mãos passaram, não há ninguém que não o perca como também não há ninguém que não se apodere de um “chuço” alheio. Ele paira de mãos em mãos, eu nunca saberei se os que perdi em pequeno não estarão na América do sul. Esses malditos só devem funcionar com pessoas pequenas, das poucas vezes que utilizei essa arma de comédia fiquei com as minhas pernas e ombros encharcados. Divertido é ver alguém à procura do seu “chuço” depois de o ter perdido. Uma estratégia para procurar compaixão nos outros é apelar ao enorme valor estimativo que acompanhava o “chuço”, mas quando nos predispomos para ouvir a história percebemos que foi comprado a um indiano da rua das flores que deixou a família na sua terra aos 12 anos. E depois o mais irritante é a falta de educação dos defensores do uso do “chuço”, sempre que veem alguém à chuva comentam:- Olha para aquele parvalhão à chuva! Neste mundo as minorias nunca serão respeitadas. Viva o inverno sem guarda-chuvas!!!!

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Os pinguins que não temem as focas


Um fenómeno preocupante que infecta as pessoas é a facilidade com que acreditam no senso comum. Esse tipo de sabedoria é produto de uma invenção que à boleia das palavras se espalha descontroladamente tornando-se mais poderosa que a precisão científica. Isso incomoda qualquer sábio! Uma situação evidente e intolerável é o hábito de se dizer que a Terra é completamente redonda o que não é verdade. O planeta Terra devido ao peso dos ursos polares e dos pinguins é achatado nos polos, logo é uma elipse. Aí está um enigma que nunca percebi; porque razão o autor deste mundo desapegou estas espécies por 11000 kilómetros, davam-se mal? Isto está muito mal feito de início, quem deveria viver em cada polo eram os muçulmanos e os judeus. Mas se os pinguins foram empurrados para a terra do nunca é por alguma razão, devem ser chatos…mas na verdade não foram todos, no meu mundo conseguimos observa-los em cada rua armados em espertos a coagir parvalhões com orelhas de burro a chamar-lhes “dotor”. Eles dão a sensação que ingressam na faculdade não para estudar mas para pompear aquela farpela. E depois esses cromos, prisioneiros da ânsia de poder observar a submissão no rosto dos outros, não se importam de acarretar um uniforme quente como um forno que os põe a suar como cavalos. O desejo de se exibirem não lhes dá tempo para lavar nem secar, no dia seguinte vestem a mesma porcaria com uma fragrância que tresanda. A pior praxe é cheira-los! Um cenário entediante é ver um gajo com o cognome de Dux no papel de dominante quando na prática é o mais idiota da faculdade, tem em média 32 inscrições mas são os maiores. Não tenho duvidas que a maioria dos estudantes aproveitam as práticas estudantis para alimentar o ego, vê-se isso na vontade louca de ingressar na tuna; podes não saber tocar nem cantar mas se fores abanar uma bandeira ou se te disponibilizares para abarcares com a tarefa dificílima de bater numa pandeireta já entraste. O mais frequente é assistir a anormais que só fizeram uma cadeira no 1º ano e como se inscreveram numa cadeira do 2º ano se intitulam de “dotores”. Para eles os caloiros não são pessoas, são bestas com cascos. E depois envergam aquele traje com uma vaidade que mais parece que estão em permanente desfile na passarela a competir para ver quem tem mais emblemas. Os emblemas marcam uma hierarquia, quem cozer mais de 2500 vence, pode não ter nada a ver com a pessoa mas o importante é carrega-los. O mais caricato é quem se atrever a vestir essa armadura escura é obrigado a respeitar um conjunto de normas muito inteligentes; não se pode (teoricamente) usar relógio nem brincos com o traje mas usar chupetas e rolos da massa em miniatura pendurados na vestimenta é que dá estilo. Pior do que tudo é dizer-se que as praxes são uma forma de integração, e no fundo faz todo o sentido porque não há melhor forma de inclusão grupal do que andar de joelhos a rastejar com um penico na cabeça a puxar latas de Ice Tea presas às pernas. Incrível é observar os ditos “dotores” a encabeçar uma competição para ver quem embebeda primeiro as caloiras da trabinca para lhes saltar em cima. Não conseguem de outra forma! Os culpados em certa medida são os familiares que os bajulam sempre que os vêem vestidos à pinguim, a emocionalidade que libertam ultrapassa todos os limites da compreensão, muitas vezes nem sabem que curso frequentam ou pode ate ser um curso de merda mas o importante é vê-los naquela figura. Eu de bom agrado colocava estes pinguins na Antárctida, ou melhor, no Árctico para praxarem os ursos polares.  

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Ninguém é igual

Todos os segundos são experiências, todas as experiências são vivências, logo todos os segundos são vivências! Não há muito tempo a população mundial ultrapassou os 7 biliões de pessoas, e o mais inacreditável é perceber que nesse universo não existem duas pessoas com personalidades iguais, porque não há vivências iguais, e o meio é fundamental na formação da personalidade. Mas o que é personalidade? De uma forma elementar podemos dizer que é a síntese de pensamentos, sentimentos e comportamentos que nos torna seres únicos. A personalidade é um conjunto de sinais libertados por cada pessoa que permite definir um padrão comportamental. Esse padrão permite-nos, em certa medida, fazer uma previsão da forma de ser de uma pessoa, o que nos ajuda a perceber com quem estamos a lidar. O melhor local para identificarmos as diferenças de personalidade é quando um indivíduo vai ao Pingo Doce comprar uma caixa de preservativos. O GABAROLA: é aquele que não se importa de esperar 20 minutos na fila só com uma caixa de preservativos na mão, ele até podia ir comprar às caixas próprias no exterior das farmácias mas aí ninguém o vê. O mais caricato é quando chega a vez dele para pagar e levanta o seu produto como um troféu para toda a gente ver, depois cospe aquela frase quase aos berros para não passar despercebido a ninguém; - "É só a caixa de preservativos que quero levar!" - quase instantaneamente levanta a cabeça e como um farol começa a olhar para todas as pessoas apresentando um sorriso ridículo como quem diz; ”Tenho 41 anos e já fodo”. Claro que a caixa do material é para juntar às 500 que já tem na despensa de sua casa. O TÍMIDO: é diferente, é capaz de comprar produtos desnecessários só para poder esconder a caixa de preservativos no meio deles. Quando chega a vez de colocar os produtos em cima do tapete até lhe custa tirar os preservativos do cestinho. Uma situação muito comum com os tímidos é comprar couves para esconder a caixa entre as folhas e depois tentam com o corpo tapar a visão das pessoas que estão na fila e nem ousa olhar para elas. Mal a menina da caixa passa o código de barras a vontade deles é pagar e começar a correr para nunca mais voltar mas não o fazem porque parece ainda pior deixar lá os restantes produtos. O PESSIMISTA: leva sempre o pacote mais pequeno e de marca branca porque não acredita muito na possibilidade do os usar, vive em permanente hesitação e no momento de pagar quase sempre se arrepende e vai devolver os preservativos às prateleiras. O PERFECCIONISTA: é todo aquele indivíduo que os experimenta no provatório antes de os comprar, muitas vezes 4 ou 5 caixas e não leva nenhuma, pede sempre ajuda às meninas para perceber qual é o que deve levar, pergunta de tudo, desde o sabor à textura, se causa alergias e se é fino ou grosso. O OPTIMISTA: em contraste, leva kilos e de todos os sabores. Este tipo de pessoa encontra sempre justificação para os dissabores constantes, até pode levar uma tampa mas a culpa é duma circunstância qualquer. O ANSIOSO: quer passar à frente de toda a gente, dá sempre a sensação que tem de utilizar o material naquele momento ou nunca mais. Como vive em tensão permanente vive a esfregar as mãos o que faz com que de 5 em 5 metros deixe cair o material. O DISTRAÍDO: chega à caixa para pagar os preservativos e repara que afinal o que tem na mão são 200g de fiambre. De facto se fossemos todos iguais não era a mesma coisa...

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Tripas que fazem mal às tripas

Um grego qualquer um dia disse "O prazer não é um mal em si; mas certos prazeres trazem mais dor do que felicidade." É das tais verdades que não são mentira!! No nosso caminho de existência temos que manter o ritmo certo, só assim poderemos observar os focos de felicidade que existem nas bermas. O grande desafio daqueles que respiram é encontrar o ponto de equilíbrio da velocidade da vida, quem vive muito depressa passa pelos prazeres da vida sem os ver, quem vive devagar nunca chega até eles. Mas isto não deixa de ser controverso porque podemos experimentar um prazer que depois se transforma em desprazer mas se não tivéssemos experimentado esse gozo também não teríamos sentido o contrário. Este dualismo confronta-nos diariamente e a escolha sobre um deles depende de impulsos muitas vezes inconscientes. Onde este conflito paira muitas vezes é na nossa relação com a comida, precisamente, quando sabemos que tal comida nos pode fazer uma maldade, mas ainda assim arriscamos comê-la. Um dos grandes riscos na nossa vida é comer tripas à moda do Porto antes de uma reunião importante. Como em quase todos os contos aqui a história também começa bem mas à medida que a reunião vai evoluindo vai-se começando a sentir uma pressão no rabiosque. Nesta fase ninguém se preocupa porque aperta-se as nádegas e o atrevido volta para trás, mas o que nós não sabemos é que aquele solitário tinha como missão estudar as condições de evacuação. Após dez minutos sem sentir nada começamos a acreditar que o gajo se rendeu mas essa não é a verdade, eles aproveitam esse tempo para se organizar. Começamos gradualmente a sentir um desconforto no aparelho intestinal, ouvem-se uns barulhos estranhos provenientes do nosso interior como um autêntico aviso de guerra. Forma-se uma espécie de motim intestinal e é nesse momento que percebemos que vai haver chatices. Sem tempo para organizar defesa recebemos de imediato a primeira vaga de ataques como um tsunami. Ainda pensamos em lhes dar liberdade mas nunca sabemos que odor transportam e sob pena de fazer má figura em frente ao chefe preferimos não arriscar e decidimos concentrar todas as nossas forças nas bordas do cú apertando-as ao máximo. Os gajos não desistem e estão unidos, dá a sensação que estão por dentro a bater com um tronco contra uma porta até a derrubar. O pior é quando chega a nossa vez de dissertar numa apresentação em Power Point. Do lugar até ao quadro manifestamos um andar estranho, quase denunciador, devido à contração das nádegas, e ali é que estamos proibidos de perder a guerra senão forma-se uma corrente de ar capaz de despentear todos os que estão na sala. A volta ao lugar parece uma miragem, começamos a questionar-nos se tínhamos mastigado os feijões tal era a força dos gajos. Conseguida a volta ao lugar, sem vacilar, pedimos ajuda à cadeira na tentativa de impedir a saída dos desertores, até que aparece a segunda vaga de ataques quase fatais…os gajos estão motivados e decididos em sair, dão a ideia de estar encavalitados uns sobre os outros a gritar puxa, puxa, puxa, outros atrás com catapultas a lançar bolas de fogo contra a saída; a cor da nossa face é denunciadora, até as bochechas da cara estão inchadas, a reunião nunca mais termina, não há forças para resistir por muito mais tempo, o desespero toma conta de nós… Até que chega a boa notícia!! A reunião acabara e nos só queremos voar dali. Vamos a correr para o elevador e mal esperamos que a porta feche abrimos as comportas absolutamente exaustas e maltratadas e… PUM!!! Foi como estar no metro de Tóquio a inalar gás sarin…o desespero fez-nos esquecer de tocar no botão do elevador que nos levava à saída e nesse momento vemos a porta do elevador a abrir com a malta da reunião à espera para entrar…

terça-feira, 11 de setembro de 2012

"Póssobem"


Um dos atributos mais ricos que este planeta nos apresenta é a diversidade cultural. A variedade multicultural é o símbolo dos diferentes passados e distintas origens, cada hábito, cada comportamento, cada acção remete-nos para a interpretação de que todos possuímos uma história longínqua que teve como resultado a diferença. A multiplicidade sociológica fizera do homem um ser capaz e adaptado, em certa medida obrigara-o a confrontar a dissemelhança ensinando-o a viver em complementaridade com outros povos. O estandarte das diferenças culturais reside na forma de cumprimento. O cumprimento é um gesto que representa uma saudação amigável entre duas pessoas ou entidades, a sua origem é incerta, mas acredita-se que tenha surgido para demonstrar que ambas as partes estavam desarmadas. No Oriente é comum curvar o corpo levemente para a frente, no Havai existe a mania do “Aloha” ser acompanhado por uma mão a fazer “corninhos”, no Texas tira-se o chapéu à Cowboy, na India junta-se as mãos e à boleia do movimento do corpo ouve-se “namaste”, aqui no ocidente é beijinhos aos magotes e apertos de mão. Aqui reside a dificuldade!! Quando alguém nos vem cumprimentar de mão nunca sabemos como vai ser o aperto, é um autêntico desafio porque nunca estamos preparados; isto porque existem vários tipos de aperto de mão e não raras vezes somos surpreendidos. Primeiro devo alertar as pessoas que não se diz póssobem mas sim “passou-bem”. Os póssobens que mais me irritam são oferecidos por aqueles indivíduos que não apertam a mão, dão a mão para ser apertada, eles não tem ossos na mão mas sim cartilagem, dá a sensação que estamos a cumprimentar plasticina, é como saudar um morto que respira. Depois há aqueles apertos que fazem o nosso braço voar para cima e para baixo como se fosse uma alavanca, se não contrariarmos a força do movimento, o braço desvincula-se do corpo. Os apertos alicate são utilizados por aqueles que esmagam a mão para provar sua masculinidade. Esses indivíduos julgam que triturar ossos da mão alheia aufere algum tipo de manifestação de autoconfiança, mas não passam de anormais que concentram a força toda do corpo na mão porque não a tem em mais lado nenhum. Levar com os “colas” também não é fácil. Esses são aqueles que apertam a mão e depois puxam-nos para perto deles até sentirmos o seu bafo de hálito a cebola. Normalmente querem dar sinal de proximidade quando ela não existe e como não queremos ser antipáticos esboçamos um sorriso amarelo e ficamos embrulhados entre duas forças… a tentativa de afastamento e a outra que impede esse mesmo afastamento. Um dos piores é o cumprimento suado, o nosso instinto natural é limpar a mão às calças e procurar de imediato um lavatório, mas nunca o fazemos por inibição, e depois enquanto o gajo fala ficamos ali com a mão pendurada a pedir-nos ajuda sem lhe podermos prestar nenhum tipo de auxílio. E já agora porque é que os padres apertam a nossa mão e em seguida cobrem com todo o carinho as costas dela com a mão esquerda, envolvendo sua mão com ambas as dele? Uma coisa que irei começar a fazer por antecipação é perguntar à pessoa o tipo de cumprimento que pretende utilizar para não ser surpreendido, assim respondo na mesma magnitude.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A WC errada

Se existem períodos de reflexão na vida de um homem é no momento que está a expulsar a sua urina do organismo. Ele eleva a sua satisfação ao auge, sabe-lhe bem ser dominante, ele é que decide quando abrir a cancela das calças, é ele quem dá autorização para abrir as comportas que oferecem à urina a liberdade, é ele que define o momento certo para guardar o seu bem mais precioso … ele sabe que pode não haver outras oportunidades de soberania, ali em frente ao urinol ele é o rei que subordina o seu criado. Naquele lugar o homem sente-se um erudito, é o seu local de culto, a ocasião perfeita para elevar os seus pensamentos… a liberdade de espírito articulada com a satisfação de ver correr o líquido que o corpo rejeita oferece-lhe um momento divino. Todavia, muitas vezes aparece a adversidade. Quem arquitetou a raça humana julgou ter conseguido confeccionar a perfeição. Não, enganou-se! Existem fenómenos inexplicáveis da biologia humana que se enquadram dentro de um conjunto de defeitos que a posteriori se vieram a revelar; de todos o mais bizarro é a incapacidade que o homem tem em urinar sob pressão. A verdade é essa, o homem não consegue mijar quando pressente alguém ou se sente observado, as canalizações do sistema urinário parece que entopem, a urina que for a caminho da saída retoma o caminho inverso... por vezes a vontade aperta mas se alguém se aproxima aquilo trava, e se ocorre numa casa de banho pública o fenómeno expande-se em cadeia chegando a um ponto em que a presença de todos bloqueia a vontade uns dos outros até que de repente estão todos em frente ao urinol cheios de empenho mas ninguém mija. Forma-se ali um mal estar disfarçado de competição, uns desistem e desaparecem sem urinar, outros persistem como de uma prova se tratasse, quase como um campeonato do mundo, daí a sigla WC (World Cup). O ideal é urinar solitariamente mas se temos o azar de entrarmos numa wc como a da figura, urinar transforma-se num desafio. Quem fez uma casa de banho com este design ou foi uma mulher ou então não percebe nada da natureza do homem. Se a intenção era poupar nas limpezas foi bem conseguido porque um homem ali dificilmente mija, por motivo de erecção descontrolada ou por inércia dum organismo rendido à pressão criada pelo olhar fictício de mulheres curiosas…

domingo, 9 de setembro de 2012

Muitíssimo obrigadíssimo!

O nosso quotidiano é abonado em cenas estranhas. As pessoas passam a vida a tentar imitar-se umas às outras e sem se aperceberem caem no ridículo. Um acontecimento que me faz espécie é assistir permanentemente às incongruências entre as ações comportamentais e as comunicacionais. Algumas pessoas têm a mania de absorver palavras de um emissor qualquer, e porque julgam que tem uma pitada de fineza ou então porque anseiam impressionar, aplicam-nas em momentos desacertados. O exemplo máximo deste paradigma é a utilização de uma expressão que, com toda a franqueza, já me atordoa, pela razão de ser massivamente utilizada…ou mal utilizada. Estou a referir-me ao capricho das pessoas em utilizarem a palavra “obrigadíssimo” como bandeira de qualquer agradecimento. Na nossa vida atual utiliza-se mais vezes o “obrigadíssimo” do que o “obrigado”, a malta quase que se esqueceu de agradecer com a palavra “obrigado”, e porquê? Para algumas pessoas pronunciar “obrigadíssimo" é chique, soa bem, talvez impressione, querem ser exageradamente simpáticos, tencionam formar boa impressão nos outros, até podem dizer quatro ou cinco asneiradas mas depois complementam com o… “obrigadíssimo”. Elas envaidecem-se tanto na utilização desse vocábulo que até às portas automáticas do Jumbo dizem “obrigadíssimo”. Essa palavra infelizmente vive agora na trivialidade. Ela na sua essência é muito mais que “obrigado”, é “obrigado” ao cubo, devia ser utilizada só em circunstâncias imponentes como num salvamento de uma vida ou outra coisa do género, mas não, em tudo o que é acontecimento supérfluo lá está ela; seguramos numa porta para uma pessoa passar e ouvimos; “obrigadíssimo”, apanhamos uma merda qualquer que uma pessoa tenha deixado cair e escutamos “obrigadíssimo”, respondemos “viva” a um espirro e…”obrigadíssimo”; até parece que foram feitos favores do outro mundo, o agradecimento é de tal ordem que até sentimos que lhe ficamos a dever um favor. Mas pior é o “muito obrigadíssimo”… O que é isto??? Esta bacorada ultrapassa todos os limites… Esta expressão provoca de imediato arrependimento de qualquer favor que tenha sido feito… Devia haver uma multa para quem empregasse a palavra “obrigadíssimo” em vão, e vou mais longe, as escolas têm disciplinas que não servem para nada como a matemática e português quando deviam ter uma disciplina que ensinasse o uso correto das palavras de agradecimento. Outro fenómeno inexplicável é saber que existem todo o tipo de associações, dos animais, dos deficientes, dos alcoólicos e não há nenhuma que lute contra o uso indevido do “obrigadíssimo”. – Aqui está o seu cafezinho. Muitíssimo obrigadíssimo…

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O mal da buzina

Já lá vão muitos anos, ainda o mar morto andava doente, quando me vi envolvido numa guerra com os livros de biologia em que o grande derrotado fora o próprio exame. Lembro-me que uma das batalhas na altura era provocar a nossa memória com a taxonomia de Lineu em que nos ordenavam que memorizássemos o nome de todas as classificações dos animais numa hierarquia. Pelas razões mais óbvias o único que decorei foi a classificação do homem; Reino: Animalia, Filo: Chordata, Subfilo: Vertebrata, Classe: Mammalia, Ordem: Primata, Família: Hominidae, Género: Homo, Espécie: Homo Sapiens. Mas esta linhagem está incompleta e se o Lineu estivesse vivo ia levar comigo… Infelizmente existe uma sub-espécie para o homem!! Essa sub-espécie são aqueles homens que têm a estúpida mania de buzinar “bii bii” às mulheres que vão distraidamente no passeio. Será que eles pensam que a mulher vai olhar, saltar para dentro do carro e convidá-lo para ir ao motel? Será que eles crêem que elas vão fixar a matrícula e posteriormente vão procurá-los como se o mundo fosse acabar? Será que acreditam que esse método é uma forma de sedução? Ainda para mais são tão burros que apitam e vão embora…mas certamente que no seu íntimo esperam que elas iniciem uma corrida desenfreada atrás do carro. Se nunca ninguém em nenhuma parte do mundo engatou alguém através desse método porque é que insistem? Todo esse comportamento era justificado se fosse um indivíduo com pinta a conduzir um Porsche, mas o que se sucede é precisamente o inverso, eles são adeptos do “furgão” de caixa aberta e transportam uma fronha que os devia obrigar a desejarem passar despercebidos, mas não, invocam-na com orgulho. Eles acreditam que as mulheres se extasiam com o pó de cimento que habita nas suas sobrancelhas e que o brilho que emanam das camadas de suor que envolvem o corpo provoca irresistibilidade. Para eles os dentes podres são a alma de toda a atração e ostentam um chapéu todo badalhoco a dizer ”tintas Robbialac” que molda um penteado que mais parece terem sido lambidos por uma vaca. E o pior, é se a buzinadela é acompanhada por um piropo… o piropo é o tiro de partida que inicia a competição que determina o mais burro dos estúpidos. Normalmente vence aquele que disser a frase mais ordinária porque para eles isso é sinal de inteligência, e sem hesitar aproveitam de imediato esse grande feito para se motivarem para no dia seguinte repetir a façanha. Como será viver na cabeça deles? Será que se sentem grandes conquistadores? Será que acreditam que fizeram uma proeza imperial? Coitadas das mulheres…

terça-feira, 4 de setembro de 2012

O orgasmo feminino

O homem sempre se debruçou pelo estudo do mistério do orgasmo feminino, existem centenas de investigações, kilos de literatura, milhares de horas de pesquisa, tudo para encontrar um resposta plausível que explique as múltiplas viagens ao éden das mulheres. Surgiram agora dados novos que impõem uma mudança no mundo daqui para a frente…uma conhecida sexóloga apresentou uma pesquisa feita nos Estados Unidos na qual se mediu a descarga elétrica emitida pela periquita no momento do orgasmo. Os resultados mostram que, no momento supremo de todo o desvario, a pardaleca dispara uma carga de 250.000 microvolts, o que pressupõe que, 5 passarinhas ligadas em série na hora do “ai meu Deus” são suficientes para acender uma lâmpada, uma dúzia capaz de provocar a ignição no motor de um carocha com a bateria em baixo e se juntarmos milhares podem substituir as barragens, o que era óptimo para o salmão que já podia subir o rio sem problemas. Até já há mulheres a treinar para carregar a bateria do telemóvel: dizem que é só ter o orgasmo e, tchan…carregar. Tudo isto não deixa de ser um contrassenso porque os homens é que tem a Moreia mas são as mulheres a dar o choque. Portanto, é preciso ter muito cuidado porque aquilo, afinal, não é uma vagina, é uma torradeira elétrica!!! O pior é se aquilo dá curto-circuito na altura de ‘virar os olhos’, para além de vesgo, fica-se com a doença de Parkinson e com a salsicha assada. O preservativo agora é ineficaz sendo que é imperativo utilizar as novas camisinhas da Michelin. Outra preocupação é o momento da descarga…é recomendável o uso de sapatos de borracha sem nunca os descalçar, e não pisar o chão molhado. É também aconselhável que, antes de se começar a molhar o biscoito perguntar à parceira se a parreca é de 110 ou de 220 volts, não se vá esturricar a alheira… Ainda assim quem quiser optar pelo método mais seguro deve colocar o fio terra no cu…

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Urgência do hóspital

Já passaram muitas jornadas mas ainda vive na minha memória a professora de português que se espumava toda para ensinar os nomes colectivos como se fosse algo de muito importante para o futuro de cada aluno. Pessoalmente considero um saber desnecessário porque ocupamos o nosso cérebro com um conjunto de palavras destinadas a cada espécie quando a frase “um grupo de” dava para tudo…economizava-se espaço cerebral. Mas se há nomes colectivos para quase todas as espécies porque é que os ciganos não têm? Alguém me explica? Eles andam sempre juntos como os cardumes, só fazem ninhadas, cheiram mal como as cáfilas, por vezes atacam como as alcateias, são agressivos como as manadas, berram como os rebanhos, são limpos como as varas e vivem no meio do pinhal. Se alguém tem dúvidas de tais atributos que compareça à porta das urgências dos hospitais, eles parecem que vivem lá… A presença de todos é fundamental, não há geração que falhe, desde os putos com a face revestida a ranho até às velhas com aqueles brincos que esticam as orelhas até aos joelhos. São como ratos, são dezenas, e não fica ninguém a tomar conta do barraco, vem tudo atrás do doente e se não estiver na hora de ir buscar o rendimento mínimo, até que ele saia ninguém do grupo arreda pé… Eles não trabalham? Então investiram tempo e dinheiro na universidade a tirar cursos comerciais para vender balões nas romarias e roupa nas feiras e agora deitam esse talento ao lixo? Ao menos que trouxessem os balões para vender na pediatria… E depois à boleia da vaidade gostam de invocar a sua forma de falar como se de uma ópera se tratasse, tendo o vício irritante de prolongar sempre o último som da última palavra de cada frase; “Ai mãeeeeeee”, “ Anda cá filhooooooo”,”que raio de tempooooo”, doí-me a cabeçaaaaaaa”… E a roupa… eles são tão preguiçosos que nem querem ter o trabalho de pensar em conjugar cores de roupa…usam o preto e está tudo muito bem, assim dá para usar a mesma roupa seguida durante 2 anos sem se notar as nódoas…e ainda dá para os outros quando não servir.