quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Mão no bolso

Eu vejo a vida como um conjunto de etapas que se sobrepõem mas que em certa medida não se manifestam numa continuidade. Esta complexidade transporta-nos para uma espécie de barafunda vivencial. Cada fase da vida deveria arcar com a missão de consagrar as pessoas de astúcia e saber para melhor se gerir a etapa seguinte, todavia, o que acontece muitas vezes é um retrocesso do comportamento admissível. Como todos sabemos uma das fases mais complicadas do nosso caminho até à cova é a adolescência; o estado de adolescência é prova real da estagnação da evolução da pessoa enquanto ser inteligente. Se analisarmos à lupa todos os comportamentos irritantes da raça humana verificamos que 90% residem neste período…eu percebo que é uma altura de procura de identidade, aceito perfeitamente que se cague o espelho com resquícios de acne, até que se suje os lençóis, mas o que eu nunca entenderei é a vontade louca que os adolescentes têm em mostrar ao mundo que têm consentimento do(a) parceiro(a) para lhe chapar a mão no cú. O rabo não pode cair na banalidade, deve ser valorizado consoante a sua importância, os glúteos são os músculos mais fortes do corpo humano, têm a difícil tarefa de nos manter “erécteis” e proporcionar a nossa marcha, logo, irrita-me achar que a juventude pense que a função do rabo é exclusivamente para receber apalpões. Eu quero acreditar que esse estímulo é resultado de uma necessidade inata que floresce na altura da puberdade, eu sei que a vida até então só permitiu apalpar o próprio rabo, eu percebo que possa existir uma carência assente na curiosidade de perceber se os cús são desiguais mas, caramba, não é preciso manter a mão colada no bolso do cagueiro durante horas para perceber isso. Quem morar perto duma escola já sabe que quando soar o toque de saída iniciar-se-á um desfile de casais todos abraçados com a mão no bolso traseiro a segurar as “nalgas”, e depois olham para trás para um qualquer transeunte e esboçam aquele sorriso de confiança como se uma mão no cú alheio fosse uma grande obra de arquitectura. Chega a dar a sensação que a função do bolso de trás é unicamente para receber uma mão porque nunca serviu para outro tipo de serviço. Mesmo no tempo quente, quando todos nós desejamos ter o mínimo de roupa possível os adolescentes parece que andam cheios de frio porque não deixam de colocar a mão no bolso quente do rabiosque do(a) amigo(a) e depois o mais engraçado é vê-los a marchar abraçados em dessintonia, todos taralhoucos, muitas vezes até se calcam mas a mão no cú permanece sempre imperturbável. Eles estão tão adaptados que conseguem escrever sms com uma mão sem tirar a outra do casulo, dá a impressão que a Levis reveste o interior dos bolsos a velcro. Este paradigma não se resume a casais de namorados, é um vício que se cimentou no comportamento global dos adolescentes, se falha um cú para colocar a mão procura-se imediatamente outro, qualquer dia só se irão reconhecer pela palpação do rabo, já não vai interessar os olhos azuis ou os lábios carnudos mas sim o tipo de cú. Qual será o significado de tal comportamento? O mundo deu uma volta ao contrário, no meu tempo um adolescente para se afirmar perante os outros começava a fumar e metia-se na droga, hoje em dia é o que vemos. Devia haver uma lei que proibisse a confeção de bolsos traseiros para acabar com esta vergonha…

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