segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A WC errada

Se existem períodos de reflexão na vida de um homem é no momento que está a expulsar a sua urina do organismo. Ele eleva a sua satisfação ao auge, sabe-lhe bem ser dominante, ele é que decide quando abrir a cancela das calças, é ele quem dá autorização para abrir as comportas que oferecem à urina a liberdade, é ele que define o momento certo para guardar o seu bem mais precioso … ele sabe que pode não haver outras oportunidades de soberania, ali em frente ao urinol ele é o rei que subordina o seu criado. Naquele lugar o homem sente-se um erudito, é o seu local de culto, a ocasião perfeita para elevar os seus pensamentos… a liberdade de espírito articulada com a satisfação de ver correr o líquido que o corpo rejeita oferece-lhe um momento divino. Todavia, muitas vezes aparece a adversidade. Quem arquitetou a raça humana julgou ter conseguido confeccionar a perfeição. Não, enganou-se! Existem fenómenos inexplicáveis da biologia humana que se enquadram dentro de um conjunto de defeitos que a posteriori se vieram a revelar; de todos o mais bizarro é a incapacidade que o homem tem em urinar sob pressão. A verdade é essa, o homem não consegue mijar quando pressente alguém ou se sente observado, as canalizações do sistema urinário parece que entopem, a urina que for a caminho da saída retoma o caminho inverso... por vezes a vontade aperta mas se alguém se aproxima aquilo trava, e se ocorre numa casa de banho pública o fenómeno expande-se em cadeia chegando a um ponto em que a presença de todos bloqueia a vontade uns dos outros até que de repente estão todos em frente ao urinol cheios de empenho mas ninguém mija. Forma-se ali um mal estar disfarçado de competição, uns desistem e desaparecem sem urinar, outros persistem como de uma prova se tratasse, quase como um campeonato do mundo, daí a sigla WC (World Cup). O ideal é urinar solitariamente mas se temos o azar de entrarmos numa wc como a da figura, urinar transforma-se num desafio. Quem fez uma casa de banho com este design ou foi uma mulher ou então não percebe nada da natureza do homem. Se a intenção era poupar nas limpezas foi bem conseguido porque um homem ali dificilmente mija, por motivo de erecção descontrolada ou por inércia dum organismo rendido à pressão criada pelo olhar fictício de mulheres curiosas…

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