Hoje sinto-me um atleta português nos jogos olímpicos…perdi uma corrida para um reformado na chegada a uma caixa multibanco. Eu quando o vi ao longe ainda comecei a esgaçar mas o velho reparou e com a ajuda da bengala não me deu hipótese. Pior que perder a corrida é adivinhar o que aí vinha, já sabia que o tempo interminável ia tomar conta de mim porque reformado e modernidade são antíteses. Nestas situações uma técnica muitas vezes bem sucedida para colocar pressão sobre a pessoa é faze-la sentir o nosso bafo no seu cachaço mas este gajo era imperturbável. As mãos eram as suas grandes inimigas, como tremiam, para tirar o cartão da carteira foi um bico-de-obra, depois envolveu-se numa guerra com o código do cartão porque os reformados nunca acertam à primeira, nem mesmo à segunda e quando começas a acreditar que vão falhar a terceira para chegar a tua vez…eles acertam!! Depois precisam de algum tempo para se lembrar do que é que vinham fazer, e quando lhes dá a luz carregam nas opções todas até que o processo se auto-anula. Voltam a embarcar na aventura até que lá se lembram de fazer o pagamento da luz, sendo que demoram cerca de 20 segundos para cada número que marcam e quando chegam ao fim removem o cartão, e quando começamos a preparar o primeiro passo eles voltam a introduzir o cartão para pagar a tv cabo. Movido pela esperança mas ao mesmo tempo assolado pela exaustão de 30 minutos de espera prevejo a minha hora a chegar mas nesse momento observo o velho a retirar outro cartão da carteira…fodasse, desisto, vou-me embora, não aguento mais. Pus-me a caminho e após 20 longos passos ouço um rejúbilo oriundo da fila e ,inevitavelmente, ouso olhar para trás… e não é que vejo o reformado a abandonar o multibanco…ainda tentei voltar mas a caixa já tinha sido assaltada pela fila de 20 pessoas.







0 comentários:
Enviar um comentário